Números de empregos gerados e de trabalhadores com carteira assinada caem no Estado

Taxa de desemprego de 7,7% é a maior registrada em Goiás

Domingos Gomes tem 44 anos de idade e mais de 10 de experiência como vigilante. Para complementar a renda da família ele sempre conciliou dois empregos. Em maio do ano passado perdeu o primeiro e em novembro foi demitido do segundo. Domingos não foi o único a perder o emprego no quarto trimestre de 2015. Em Goiás, a taxa média de desemprego subiu para 7,7% no período, o pior índice registrado no Estado.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada ontem pelo IBGE, mesmo abaixo da média nacional, 9,0%, a estimativa apresentou crescimento em relação ao terceiro trimestre de 2015, 7,2%, e ao segundo trimestre de 2014, quando a taxa foi de 5,0% (veja quadro).

Já em Goiânia a taxa de desocupação foi estimada em 6,1% no período, superior ao terceiro trimestre de 2015, 5,9%, e ao quarto trimestre de 2014, quando o índice foi de 2,3%. Com o empresariado desacreditado, cessam assim a geração de vagas. A saída de sobrevivência para os trabalhadores tem sido o famoso "bico".

"A empresa onde trabalhava afirmou que não havia mais contratos e precisa dispensar funcionários. Hoje, a minha esposa é quem sustenta a família. Pois com os bicos mal consigo R$ 600 por mês. São tantas pessoas desempregadas que está difícil encontrar até um lote vago para carpir", conta Domingos.

Emprego

Em consequência do aumento do desemprego, caiu em Goiás a geração de empregos. No quarto trimestre de 2015, o nível de ocupação foi estimado em 59,8%, ou seja, 2,3% inferior ao nível da ocupação no mesmo trimestre de 2014, quando registrou taxa de 5%.

A população goiana desempregada cresceu, passando de 247 mil no terceiro trimestre do ano passado para 265 mil pessoas no trimestre posterior. Portanto, segundo o IBGE, o número de trabalhadores com carteira de trabalho diminuiu de 1,241 milhão para 1,179 milhão no referido período.

Segundo a coach em carreira e diretora da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) para a região Centro - Oeste, Dilze Percilío, os dados são reflexos do cenário econômico nacional, onde em 2015 as empresas enxugaram o número de funcionários. Ela explica que as vagas geradas dizem respeito à troca de empregados, seja por qualificação ou por corte de custos.

Dilze acrescenta que as empresas trocam pois sabem que há muita mão de obra qualificada disponível no mercado. "E tem aquelas que dispensam uma pessoa com um salário consideravelmente bom, para contratar outra com salário menor. Para 2016, a expectativa para o mercado de trabalho não é muito promissora. Acredito que haverá uma queda na taxa de desemprego e que novas vagas serão geradas. Mas ainda continua a movimentação de troca de profissionais", diz a coach.

 

Fonte: O Popular