Indústria não para de demitir

Redução do número de ocupados foi de 0,7% em maio e atingiu 13 dos 14 locais pesquisados pelo IBGE

Diante da crise na produção, a indústria não para de dispensar empregados. A queda no número de ocupados no setor foi de 0,7% na passagem de abril para maio. No mês anterior, o emprego industrial já tinha recuado 0,4%, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal: Emprego e Salário, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Esse resultado do emprego está acompanhando a queda na produção da indústria, que teve três meses consecutivos de recuo", justificou o economista Fernando Abritta, técnico da Coordenação de Indústria do IBGE, lembrando que, nos últimos três meses, a produção da indústria acumula perda de 1,6%.

Em relação a maio do ano passado, o número de postos de trabalho na indústria diminuiu 2,6%, o 32º resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação e o mais intenso desde novembro de 2009, quando tinha caído 3,7%. "As limitações que se impõem à recuperação da indústria, evidenciadas pelo baixo patamar da confiança dos empresários, impedem uma reversão desta trajetória", avaliou o economista Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria Integrada.

SETORES

A queda no emprego industrial foi disseminada, atingindo 13 dos 14 locais pesquisados, e 15 dos 18 setores investigados. Os destaques foram as demissões nas atividades de produtos de metal, calçados e couro e meios de transporte.

O número de horas pagas aos trabalhadores também recuou em maio, tanto na comparação com abril quanto em relação a maio do ano anterior, o que significa que a indústria está reduzindo a jornada de trabalho de quem permanece empregado. O movimento pode se reverter em novos cortes.

 

Fonte: O Popular