Inflação fecha negativa, mas estoura teto da meta

Índice negativo em 0,21% no mês passado foi ofuscado pelo acumulado de 7,08% no ano, bem acima do teto da meta do governo, de 6,5%

A inflação em Goiânia registrou índice negativo de 0,21% no mês de julho. No acumulado do ano, no entanto, o índice já soma 7,08%, bem acima do teto da meta estipulada pelo o governo, de 6,5%. A expectativa é de que o custo de vida suba mais para o consumidor goianiense, uma vez que daqui para frente são aguardados reajustes de produtos essenciais .

Os dados sobre o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que apura a inflação de Goiânia, foram divulgados ontem pelo Instituto Mauro Borges de Estatística e Estudos Socioeconômicos (IMB), da Secretaria de Gestão e Planejamento de Goiás (Segplan).

PERSPECTIVAS

A perspectiva é de que este seja o único índice negativo ao longo de 2014. Isso porque a elevação do preço médio do litro da gasolina de R$ 3,04 para R$ 3,19 na última semana de julho e, no mesmo período, do litro do etanol de R$ 2,04 para R$ 2,17, devem refletir com mais peso na inflação deste mês. Vale lembrar que em setembro será definido o índice de reajuste anual da tarifa da Celg, o que deve empurrar o preço da energia elétrica para cima.

Para finalizar, os preços dos alimentos, que costumam dar uma trégua no início do segundo semestre, em geral voltam a imprimir pressão inflacionária no fim do ano. "Não há nenhuma expectativa para que a inflação fique abaixo da de 2013", diz a chefe de gabinete de gestão do IMB, Lillian Maria Silva Prado, ao lembrar que, no ano passado, o índice fechou em 5,93%. Ela afirma que algum dado contrário causaria surpresa para a equipe técnica do instituto.

ETANOL

O gerente de pesquisas sistemáticas e especiais do IMB, Marcelo Eurico de Sousa, explica que choveu nas plantações de cana-de-açúcar durante o período de colheita, o que diminuiu o volume de moagem. Com isso, é possível que o preço do etanol volte a subir ao longo do ano e, consequentemente, o da gasolina, que tem 25% de mistura do etanol anidro.

Na avaliação de Marcelo Eurico, o encarecimento da tarifa de energia e dos combustíveis promoveria uma disparada de preços. A elevação gera impacto nos custos do setor produtivo, com reflexos imediatos em vários outros produtos e serviços. "Isso geraria um índice muito superior ao que imaginamos", afirma. Entretanto, em ano eleitoral, a contenção de preços administrados pelo poder público pode ser utilizada para tentar frear momentaneamente a inflação. "Mas uma hora esses preços terão de subir", adverte Marcelo Eurico.

JULHO

Os grupos de alimentação, transportes e despesas pessoais são os principais responsáveis pelo recuo da inflação no mês passado em Goiânia. A permanência do período de estiagem contribui para uma boa safra de hortaliças, frutas e verduras. O volume atende a demanda local pressionando os preços para baixo. Dos dez itens que mais auxiliaram para a queda da inflação, sete são deste grupo: batata-inglesa (27,39%), feijão carioca (8,85%), tomate (22,42%), repolho (17,77%), ovos (8,53%), banana-prata (7,23%) e cenoura (12,03%).

Alimentação fora do domicílio caiu -0,69. Segundo Marcelo Eurico, isso ocorre porque muitos estabelecimentos de comida a quilo fizeram promoções, em função do período de férias escolares.

Entretanto, na contramão do período de férias, os preços de atividades voltadas para o lazer caíram: ingresso para futebol, (-24,63%); cinema, -6,15%; e brinquedos, -2,2%. "Isso pode ser em função da queda de demanda causada pelo desaquecimento da economia", diz Marcelo.

 

Fonte: O Popular