Sobram vagas para temporários

Só 40% dos 15,4 mil postos abertos nas lojas para Natal e Reveillon, no Estado, foram preenchidos até agora

Além da baixa expectativa para as vendas de fim de ano, o comércio goiano também enfrenta a falta de interesse de candidatos nas oportunidades de trabalho temporário abertas para reforçar o quadro de funcionários nas lojas, durante Natal e Reveillon. Da previsão de 15,4 mil vagas que devem ser abertas no Estado (que já é reduzida em relação a 2013), menos de 40% foram preenchidas até agora, segundo estimativa da entidade que representa o segmento de varejo, o Sindilojas.

O número de currículos entregues ao sindicato até agora não chega a 500, praticamente um sexto da quantidade verificada nesse mesmo período em anos anteriores. O reflexo também é sentido nos cursos de capacitação de temporários promovidos pelo Sindilojas, que só recebeu 116 inscrições até o momento - a esta altura do ano, deveriam ser cerca de 600. Conforme o presidente da entidade, José Carlos Palma Ribeiro, a baixa procura é tanto da parte do candidato como do empresário.

CAUSAS

De um lado, o Sindilojas afirma que a situação é resultado do atual perfil de candidatos para temporários: têm menos comprometimento e preferem buscar a vaga a partir de novembro. Ele também cita como causa o adiamento do empresário para contratar mão de obra provisória este ano, em função da incerteza política atual. Ainda têm os casos de lojas que contrataram temporários em datas anteriores (como Dia dos Namorados e dos Pais) e os efetivaram para reforçar o fim de ano. "Embora a previsão seja de 15,4 mil vagas este ano, particularmente, não acredito que vamos atingir essa marca em vagas abertas", diz.

Já o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio (Seceg), Eduardo Amorim, acredita que o desinteresse dos profissionais nos empregos do setor está ligado ao fator salarial. O valor oferecido pelos lojistas (em média, R$ 1,1 mil) estaria aquém das expectativas dos candidatos (em torno de R$ 1,4 mil). Ele acrescenta que a realidade de renda familiar de jovens potenciais ao emprego temporário também permite que eles escolham suas vagas e não se sujeitem a ofertas que o desagradem.

Entre empresários e gerentes, as mesmas reclamações já repetidas ao longo dos últimos anos (de carência de mão de obra) também se estendem aos temporários. O superintendente da Estação Goiânia, Elimar Caetano Rosa, diz que shopping está com cerca de 200 vagas de vendedores abertas nas suas 600 lojas. Do total, 50 estão permanentemente abertas, consequência da falta de profissionais.

"Fazemos constantes seleções para qualificar o quadro de pessoal, mas não conseguimos preenchê-lo. Falta gente com qualificação e também com perfil para trabalhar em shopping, que não tem final de semana nem feriado", frisa.

O gerente assistente do Burguer King do Goiânia Shopping, Flávio Henrique, relata que quase metade das vagas do quadro estão abertas, mas para o quadro efetivo. A lanchonete tem cerca de 25 trabalhadores efetivos e estava com 20 postos vagos há algumas semanas. Apesar das tentativas, a empresa só conseguiu preencher três. "Por causa disso, o prejuízo chega a 30% no faturamento."

INTERESSE

Àqueles que estão de olho numa vaga temporária, seja para obter uma renda extra, ingressar no mercado de trabalho ou tentar manter o cargo após as festas de fim de ano, não faltam chances. O presidente do Sindilojas orienta que os candidatos busquem atuar em áreas que tenham maior afinidade. "O vendedor que trabalha com aquilo que gosta tem a possibilidade da ganhar de 20% a 30% mais devido ao desempenho."

 

Fonte:O Popular