Valor da cesta básica sobe em 17 de 18 capitais em 2014, aponta Dieese

Em 6 localidades, alta foi superior a da inflação oficial que ficou em 6,41%.
Em dezembro, maior valor foi registrado em São Paulo, R$ 354,19.

O valor acumulado da cesta básica em 2014 aumentou em 17 das 18 capitais pesquisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). A única exceção foi Natal, que registrou recuo de 1,70% nos preços.

Em 6 localidades, a alta foi superior a da inflação oficial do país, medida pelo IPCA, que ficou em 6,41% no ano passado, conforme divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE.

 

Três das 18 capitais pesquisadas tiveram alta acima de 10% no ano: Brasília (13,79%), Aracaju (13,34%) e Florianópolis (10,58%). Em São Paulo, a alta no acumulado de 2014 ficou em 8,24%. No Rio, o aumento foi de 8,24%. Goiânia foi a 6ª localidade com alta acima da inflação (9,66%).

Em dezembro, houve aumento da cesta em 16 localidades e diminuição em duas: Curitiba (-1,07%) e Fortaleza (-0,07%). As maiores elevações foram registradas em Salvador (4,73%) e Recife (4,35%).

São Paulo foi a capital onde se apurou o maior valor para a cesta básica em dezembro (R$ 354,19). Na sequência, aparecem Florianópolis (R$ 353,10) e Porto Alegre (R$ 348,56). Os menores custos médios foram observados em Aracaju (R$ 245,70) e Salvador (R$ 267,82).

Salário mínimo ideal
Com base no valor da cesta básica mais cara e, considerando a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Diesse estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário.

Segundo o Dieese, o salário mínimo em vigor em dezembro deveria ser de R$ 2.975,55 ou 4,11 vezes o mínimo em vigor, de R$ 724. Em novembro, o mínimo necessário era menor, de R$ 2.923,22, ou 4,04 vezes o piso vigente. O valor também era mais baixo em dezembro de 2013, e correspondia a R$ 2.765,44, ou 4,08 vezes o mínimo da época (R$ 678).

Em janeiro deste ano, o salário mínimo subiu para R$ 788.

Em dezembro de 2014, a jornada de trabalho necessária para a compra dos alimentos essenciais por um trabalhador remunerado pelo salário mínimo, foi, na média, 93 horas e 39 minutos ante 91 horas e 44 minutos em novembro. Em dezembro de 2013, a jornada exigida foi superior: 94 horas e 47 minutos.

Maiores altas entre os alimentos
A pesquisa destaca que, em 2014, os preços da carne bovina e do pão francês subiram em todas as cidades, enquanto o arroz e café em pó tiveram aumento em 17 localidades. Por outro lado, feijão foi o único produto que teve redução em todas as capitais e o óleo de soja, açúcar, leite e farinha de mandioca (pesquisado no Norte e Nordeste) mostraram queda na maioria das cidades.

A carne bovina, produto com grande peso na composição da cesta básica, teve aumento em todas as localidades em 2014, com variações entre 9,52% em Salvador e 27,71% em Belém.

O preço do pão francês também subiu, em 2014, em todas as regiões pesquisadas. O arroz aumentou em 17 cidades em 2014, com destaque para Aracaju (25,73%), Salvador (18,42%) e Curitiba (14,75%).

Já o café em pó ficou mais caro em quase todas as localidades pesquisadas, exceto em Vitória (-1,65%). A maior alta ocorreu em Aracaju (21,8%).

 

Fonte: G1