Governo japonês estuda forçar trabalhadores a tirar férias

Apesar de terem direito ao descanso remunerado, muitos japoneses optam por não tirar as folgas

A fama de workaholic dos japoneses é conhecida em todo mundo. A situação chegou a tal ponto que o próprio governo japonês está estudando uma medida radical: obrigar os trabalhadores a tirar férias, numa tentativa de melhorar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional da população. Nesta semana, o jornal The Japan Times informou que a administração do atual primeiro-ministro, Shinzo Abe, estaria analisando a criação de uma lei que tornaria obrigatório os japoneses tirarem ao menos cinco dias de folga pagos todos os anos.

A legislação japonesa já garante 10 dias de folga por ano e a maioria das empresas oferece bem mais do que isso, segundo a Slate. Os japoneses simplesmente optam por não tirar essas férias. De acordo com o The Japan Times, uma pesquisa do governo mostrou que os trabalhadores "normalmente usam menos do que a metade de suas folgas por ano". A estatística é um tanto assustadora, já que no Japão quando um funcionário falta por motivo de saúde os dias são descontados de suas férias.

A batalha contra uma cultura corporativa workhalic não é nova no Japão. Muitas companhias esperam que seus funcionários façam várias horas extras, diversas vezes não remuneradas, como uma comprovação de dedicação ao trabalho. No país, existe até uma palavra para descrever o fato de alguém morrer de tanto trabalhar: karoshi. As cortes de Justiça do Japão já reconheceram o fenômeno. Embora ele esteja muitas vezes associado a ataques do coração e derrames, os efeitos psicológicos do excesso de trabalho são também considerados responsáveis por milhares de suicídios por ano no país.

A carga horária excessiva criou um problema econômico, e também social, já que acabou expulsando as mulheres do mercado de trabalho. A quantidade de horas de dedicação esperada pelas empresas dificulta muito  a vida das mulheres. O resultado? Muitas mães abandonam seus empregos nos primeiros meses de vida de seus filhos. Quando voltam ao mercado, diversas vezes têm que aceitar salários menores. Ao mesmo tempo, muitas mulheres acabam simplesmente optando por não ter filhos - o que contribui para a baixa taxa de natalidade do país.

Fonte: Força Sindical