Poupança tem maior saída de recursos da história em fevereiro

Em janeiro, retirada de valores da poupança há havia sido recorde.
No mês passado, saída de valores somou R$ 6,2 bi, superando janeiro.

A caderneta da poupança teve em janeiro a maior saída líquida (retiradas menos depósitos) da história. Em um cenário de alta da inflação, dos juros e do endividamento das famílias, os saques da caderneta superaram os depósitos em R$ 5,52 bilhões no mês passado, segundo o Banco Central. É o maior volume para todos os meses desde o início da série histórica do BC, em janeiro de 1995.

Até o momento, a maior saída de valores da poupança, para um mês fechado, havia sido registrado em março de 2006, quando R$ 3,75 bilhões deixaram a mais tradicional modalidade de investimentos do país. No primeiro mês do ano passado, houve a entrada líquida (depósitos acima das retiradas) de R$ 1,74 bilhão na poupança.

Depósitos, retiradas e saldo da poupança
Em janeiro deste ano, ainda segundo o BC, os depósitos na caderneta de poupança somaram R$ 147,46 bilhões, enquanto os saques ficaram em R$ 152,99 bilhões. O volume dos rendimentos creditados nas contas dos investidores alcançou R$ 3,57 bilhões no mês passado.

Com isso, o volume total de recursos aplicados na caderneta recuou em janeiro. No fechamento de 2014, o estoque de recursos na poupança totalizava R$ 662,72 bilhões, caindo para R$ 660,77 bilhões em janeiro deste ano.

Cenário econômico e baixa atratividade
O cenário econômico atual, com alta da inflação e do nível de endividamento das famílias, tem contribuído para a queda no volume de entrada de recursos na caderneta de poupança neste ano, segundo análise de economistas. Além disso, em janeiro também há despesas com material escolar e dívidas do fim do ano anterior.

Para completar o quadro, o processo de aumento dos juros básicos da economia (a Selic) também contribui para a perda de atratividade da poupança frente aos fundos de renda fixa.

De acordo com cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), com o aumento da taxa básica de juros da economia de 11,75% para 12,25% ao ano no fim do mês passado, as aplicações em renda fixa como fundos de investimento mantêm mais atratividade e continuam ganhando da poupança na maioria dos casos.

Isso ocorre porque o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic. Já o rendimento das cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5% (o que acontece desde agosto), é fixo em 6,17% ao ano mais a variação da TR (Taxa Referencial, que é calculada pelo BC). Segundo a Anefac, as cadernetas de poupança vão continuar mais interessantes frente aos fundos de renda fixa quando a taxa de administração cobrada por eles for superior a 1,5% ao ano.

No ano passado, de acordo com levantamento da Economatica, a poupança rendeu 7,16%, melhor valor desde 2011. Ainda assim, o rendimento real (acima da inflação) ficou somente em 0,71%. É o quinto pior desempenho da aplicação desde 1994. Em 2014, a poupança superou somente o Ibovespa. O melhor desempenho, no ano passado, foi o dólar venda ptax (taxa média das operações diárias), com ganho real de 6,56% acima da inflação. Em seguida vem o ouro, com 5,3%, e o CDI, com 4,14%.

Fundo de reserva
Especialistas avaliam que, independentemente do rendimento, a caderneta de poupança ainda pode ser uma boa opção de investimento em alguns casos. Pode ser uma boa alternativa, por exemplo, para pequenos poupadores (com pouco dinheiro guardado), para pessoas que buscam aplicações de curto prazo (poucos meses) ou que procuram formar um "fundo de reserva" para emergências - uma vez que não há incidência do Imposto de Renda.

Nos fundos de investimento, ou até mesmo no Tesouro Direto (programa do governo de compra de títulos públicos pela internet) há cobrança do imposto de renda e, na maior parte dos casos, de taxa de administração. Nos fundos de investimento e no Tesouro Direto, o IR incide com alíquota regressiva, ou seja, quanto mais tempo os recursos ficarem aplicados, menor é o valor da alíquota incidente no resgate.

 

Fonte: G1