Empresários e sindicalistas se unem contra aumento de impostos e corte de benefícios do ajuste fiscal

Na mira deles, estão as Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665, que alteram as regras de benefícios como seguro desemprego e auxílio doença, que já estão em vigor

Num momento de agravamento da crise política e econômica, empresários e sindicalistas reunidos ontem na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) anunciaram uma frente conjunta para tentar derrubar as medidas de ajuste fiscal do governo. Na mira deles, estão as Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665, que alteram as regras de benefícios como seguro desemprego e auxílio doença, que já estão em vigor. Eles também decidiram criar um "comitê permanente" que vai tratar de questões econômicas mais gerais como o aumento da carga tributária, dos juros e dos gastos públicos. Um documento com essas posições será encaminhado à presidente Dilma Rousseff na próxima semana.

Nosso movimento não é contra o governo, ou favor de qualquer partido. É uma união pelo Brasil - disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp, logo após a reunião que reuniu mais de 100 empresários e representantes das seis maiores centrais sindicais do país (entre elas CUT, CGT, UGT e Força Sindical).

Entre os empresários, além de Skaf estavam o presidentes da Anfavea, associação que reúne as montadoras, Luiz Moan, da Abimaq, que abrange máquinas e equipamentos, Carlos Pastoriza, Eduardo Capobianco, da indústria da construção, Geraldo Coutinho, da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), e o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, do conselho da Fiesp e da JBS.

Paulo Skaf, que presidiu a reunião, disse ainda que vai telefonar para a presidente Dilma nesta terça-feira para explicar a ação conjunta e comunicar que empresários e trabalhadores não vão aceitar mais aumento de impostos e retirada de benefícios. Uma nova reunião para definir a pauta sobre a redução da carga tributária e de juros, além de cortes de gastos foi marcada para a próxima semana.

"Não vamos aceitar mais aumentos de impostos e retrocessos nos benefícios. Se o governo quiser ajustar suas contas terá que fazer por meio de redução de ministérios e de cargos comissionados", disse Pastoriza, da Abimaq.

Já o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, destacou a importância de ter os empresários ao lado dos trabalhadores contra as MPs 664 e 665. Segundo ele, com a criação do comitê será possível avançar em outras questões como a defesa do emprego e a melhoria das condições econômicas do país que beneficiarão tanto o capital como o trabalho.

"É uma luta democrática. Estamos construindo uma ação conjunta, montando uma pauta unitária pelo bem do Brasil", disse o sindicalista, que manteve a manifestação contra as MPs,marcada para o próximo dia 23.

 

Fonte: Força Sindical