Prévia do PIB' inicia 2015 com queda de 0,11%, informa Banco Central

Segundo instituição, foi o segundo mês seguido de queda no indicador.
Em 2014, prévia do PIB havia começado ano com expansão de 1,11%

A economia brasileira iniciou o ano de 2015 com retração, segundo indicam números divulgados nesta segunda-feira (16) pelo Banco Central.

O Índice de Atividade Econômica do BC, o IBC-Br - um indicador criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) - teve retração de 0,11% em janeiro, na comparação com o mês anterior. Foi a segunda contração seguida mensal do indicador, que recuou 0,57% em dezembro do ano passado (dado revisado). Neste caso, as variações foram feitas após ajuste sazonal.

Os números do BC mostram que o nível de atividade começou este ano diferente do que foi registrado em 2014. No ano passado, o indicador iniciou o ano com forte expansão. Em janeiro de 2014, a "prévia" do PIB teve alta de 1,11% contra dezembro de 2013.

Comparação com janeiro de 2014
De acordo com o Banco Central, a "prévia" do PIB registrou no primeiro mês deste ano, na comparação com janeiro de 2014, uma queda maior ainda: de 1,75%. Neste caso, a comparação foi feita sem ajuste sazonal - pois considera períodos iguais. E, no acumulado em 12 meses até janeiro, o indicador registrou contração de 0,39%, segundo números do BC.

O mercado financeiro acredita que o Produto Interno Bruto terá forte retração neste ano. A expectativa dos analistas dos bancos, colhida pelo Banco Central na semana passada em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras, é de uma contração de 0,78% em 2015 - o que, se confirmado, será o maior "encolhimento do PIB" em 25 anos.

Resultados do IBC-Br x PIB
O IBC-Br foi criado para tentar ser um "antecedente" do PIB. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos. Os últimos resultados do IBC-Br, porém, não têm mostrado proximidade com os dados oficiais do PIB, divulgados pelo IBGE.

Em 2012, por exemplo, o IBC-Br mostrou um crescimento de 1,6%. Posteriormente, o resultado oficial do PIB mostrou uma alta menor, de 1%. O mesmo aconteceu em divulgações trimestrais do PIB, quando o indicador não correspondeu aos resultados oficiais do PIB - divulgados pelo IBGE.

O Banco Central já avaliou, em 2013, que o IBC-Br não seria uma medida do PIB, mesmo que tenha sido criado para tentar antecipar o resultado, mas apenas "um indicador útil" para o BC e para o setor privado. "Se o IBC-Br acertasse na mosca é que seria surpreendente", afirmou o então diretor de Política Econômica da entidade, Carlos Hamilton, no fim de 2012.

IBC-Br
Antes divulgado por estados e por regiões, desde o início do ano passado o indicador passou a ser calculado com abrangência nacional.

"A estimativa do IBC-Br incorpora a produção estimada para os três setores da economia acrescida dos impostos sobre produtos, que são estimados a partir da evolução da oferta total (produção mais importações)", explicou o Banco Central.

Definição dos juros
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária. Atualmente, os juros básicos estão em 12,75% ao ano e a expectativa do mercado é de novas elevações nos próximos meses para tentar conter as pressões inflacionárias.

Pelo sistema de metas de inflação que vigora no Brasil, o BC precisa calibrar os juros para atingir as metas preestabelecidas. Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis.

Para 2015 e 2016, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Desse modo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país e medida pelo IBGE, pode ficar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida.

 

Fonte: G1