Inflação vai estourar teto da meta em 2015, diz BC

Outra previsão é de que o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,1% no ano passado e recuará 0,5% este ano, confirmando estagnação da economia

A economia brasileira encolherá neste ano e, ainda assim, a inflação vai estourar o teto fixado na legislação. As previsões, que já vinham sendo feitas por analistas independentes, foram corroboradas pelo Banco Central. Segundo projeções divulgadas ontem, o BC calcula que o PIB vá cair 0,5% em 2015, na sequência de uma estagnação ou retração - queda estimada de 0,1% - no ano anterior.

A estimativa não considera a nova metodologia adotada pelo IBGE, que deve proporcionar alguma melhora nos números de 2014, a serem divulgados hoje.

Mesmo com a produção e a renda no chão, os preços deverão subir 7,9%, bem acima do limite máximo de 6,5%, consideradas as previsões de mercado para a variação dos juros e das cotações do dólar até dezembro. Trata-se de uma combinação rara de resultados ruins. Houve apenas três quedas anuais do PIB desde os anos 1990, excluídas as projeções para 2014 e 2015.

A inflação medida pelo IPCA tem ultrapassado a meta de 4,5% desde 2010, mas se mantendo abaixo do teto estabelecido na legislação - ultrapassado pela última vez em 2003, quando era de 6%.

Estagflação

A coexistência entre recessão e inflação em alta é conhecida como estagflação, com a qual o país flerta desde o ano passado. Agora, o uso do termo tende a ganhar força - embora, no vocabulário do BC, o País passe por uma "transição".

As projeções do mercado são mais pessimistas que as oficiais: segundo pesquisa feita na semana passada, as estimativas centrais dos analistas são que o PIB cairá 0,8%, e a inflação será de 8,1%. O BC afirma que poderá cumprir a meta em 2016, embora suas projeções apontem para um IPCA de 5,1%; o mercado é cético.

Mais juros

O relatório divulgado e as declarações de seus dirigentes indicam que o BC voltará a elevar sua taxa de juros, hoje em 12,75% anuais - eram 7,25% em abril de 2013, quando o ciclo de alta começou. Em entrevista, o diretor de Política Econômica, Luiz Awazu, repetiu que as medidas tomadas até agora não foram suficientes, além de enfatizar a intenção de cumprir a meta em 2016.

As dúvidas de analistas e investidores se concentram na intensidade da próxima elevação dos juros, se de 0,25 ou 0,5 ponto porcentual.

Os sinais do BC não são claros. A instituição, que procura recuperar sua credibilidade depois de sucessivos descumprimentos das metas, afirma que há uma tendência natural de queda da inflação no próximo ano.

Por esse raciocínio, a disparada das tarifas de energia e das cotações do dólar, que alimenta a alta dos índices neste ano, terá duração limitada.

 

Fonte: R7