Juro alto da Caixa deixa consumidor cauteloso

Os juros subiram de 9,15% para 9,45% ao ano para quem não tem conta na Caixa

Na última quinta-feira, a Caixa Econômica Federal anunciou o segundo reajuste no ano da taxa de juros de financiamentos habitacionais. Especialistas do setor afirmam que as novas condições que passaram a valer a partir de 13 de abril já provocam reflexos. Com o mercado desaquecido pelo menor ritmo da economia, a expectativa é de que o consumidor fique ainda mais cauteloso neste ano.

"O reflexo é imediato, o comprador entra nos simuladores e já percebe que subiu", pontua o conselheiro do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Goiás (Creci-GO), Ademir Silva. Ao pesquisar, consumidores já constataram que estão mais altos parcela e seguros. Com isso, também é maior a renda exigida. "A compra vai frear ainda mais, porque quando tem flexibilidade de crédito motiva."

conta

Os juros subiram de 9,15% para 9,45% ao ano para quem não tem conta na Caixa, por exemplo, 0,3 ponto porcentual para financiamento de imóveis residenciais contratados com recursos da poupança (SBPE) no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Segundo o banco, "o ajuste foi realizado por causa do aumento das taxas básicas de juros", mas ainda mantém a melhor oferta do mercado.

Isso não vale para financiamentos contratados com recursos do Programa Minha Casa, Minha Vida e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que não sofreram qualquer correção. "Mas a mudança interfere na efetividade de negócios e boa parte das vendas é pelo SFH, porque está ligada a parcelas", explica o conselheiro, ao afirmar que o consumidor precisa focar no que é compatível com sua capacidade financeira.

barateamento

"Com o barateamento das parcelas e mais prazos, algumas pessoas que só poderiam comprar um apartamento de dois dormitórios passaram a financiar um de três, nos últimos anos", lembra Ademir Silva. Ele afirma que a alta das taxas também pode assustar quem assinou contrato para imóvel em construção e terá uma nova realidade ao chegar o momento de financiar, o que pode resultar em devoluções e prejuízos.

Investimento

Apesar de também considerar que a procura por imóveis ainda é considerada boa no Estado, já que vendas de apartamentos novos em Goiânia cresceu 11,9% na quantidade de unidades vendidas em fevereiro em relação ao mesmo período de 2014, o presidente do Sindicato da Habitação do Estado de Goiás (Secovi-GO), Ioav Blanche, diz que a alta vai impactar procura de imóvel para morar.

"Quem compra para investir continuará comprando para fugir da alta da inflação e segurar dinheiro." Isso porque, de acordo com Blanche, imóvel continua como moeda forte. A capital goiana permanece com o segundo lugar no ranking das capitais com maior ganho, segundo o Índice FipeZap de Preços de Imóveis Anunciados de março. Para quem não precisa parcelar, o momento pode ser propício, como garante.

O presidente do Secovi-GO sustenta a aposta pelo desenvolvimento intenso nos últimos anos, que favoreceu a sustentação do mercado, que tem grande estoque de unidades. O número considerado "fora do normal" de lançamentos em 2011 agora causa o que ele chama de ressaca e assim há oportunidades de negócios. "A hora de comprar é agora, dá para negociar melhor. Mas depois, com as novas exigências, o custo vai subir", diz, ao lembrar que a capital goiana também é segunda com menor preço entre as capitais brasileiras.

 

Fonte: DM