Brasil tem hoje crescimento fraco e baixa credibilidade, avalia FMI

Fundo descreve em relatório que o País encontra-se em uma situação difícil

O Brasil está em uma situação difícil. Essa é a primeira frase da avaliação anual do FMI (Fundo Monetário Internacional) sobre a economia brasileira, o chamado "Artigo IV". Em um resumo deste documento, divulgado no mês passado, a instituição reduziu as projeções sobre o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro para contração de 1% este ano e crescimento de 0,9% em 2016.

O FMI afirma que o fraco desempenho da atividade reflete o impacto da baixa competitividade, a erosão da credibilidade das políticas econômicas - devido à persistente deterioração dos resultados fiscais e à inflação acima da meta - e a piora nas condições externas para o País.

- Garantir um crescimento forte e sustentável é essencial para consolidar os ganhos impressionantes na inclusão social e requer, entre outras coisas um reequilíbrio do consumo em direção a um crescimento liderado pelo investimento.

A instituição avalia que o crescimento decepcionante também é reflexo das medidas recentes de ajuste fiscal, das altas taxas de juros e dos cortes de investimento na Petrobras provocados pelas investigações da operação Lava Jato. Mesmo assim, o FMI argumenta que uma aplicação bem sucedida das medidas de ajuste deve ajudar a melhorar a atividade mais para frente.

- O espaço para políticas de estímulo é limitado e o foco deveria ser, por sua vez, aliviar gargalos na oferta e impulsionar a capacidade produtiva.

Para o FMI, o crescimento tende a melhorar no médio prazo, mas o potencial depende muito da implementação de reformas estruturais urgentes.

- Os riscos para as projeções são significativamente para baixo e incluem ramificações adversas da atual investigação de corrupção envolvendo a Petrobras, a possibilidade de as metas fiscais não serem inteiramente atingidas e de racionamento de água e energia.

A implementação dos ajustes necessários não vai ser fácil, reconhece o FMI.

- Entretanto, qualquer comprometimento no esforço das políticas econômicas pode colocar em risco as projeções de médio prazo, sem gerar nenhum benefício significativo no curto prazo.

Impostos e contas deixam as pessoas no vermelho e viram piada

Na parte de recomendações, o FMI sugere que a política monetária permaneça apertada e o câmbio continue como a principal ferramenta de absorção de choques externos.

- As intervenções (no câmbio) deveriam se limitar a episódios de excessiva volatilidade.

O Fundo também orienta que a concessão de empréstimos pelos bancos públicos tenha um papel complementar, atuando em mercados que não são atendidos pelas instituições privadas.

O FMI também diz que ações prudenciais específicas para fortalecer o sistema financeiro, especialmente um endurecimento das exigências de empréstimos para preservar a qualidade dos ativos dos bancos públicos, são "aconselháveis". Isso ajudaria a lidar com vulnerabilidades no sistema que possam surgir em um ambiente marcado pelo crescimento baixo, as condições financeiras mais restritivas e um possível aumento do desemprego.

As análises feitas pela equipe econômica do FMI apontam que a baixa taxa de desemprego dos últimos anos "mascaravam" uma deterioração no mercado de trabalho. Segundo a instituição, o desemprego deve crescer em função da atividade econômica fraca e do aumento na taxa de participação.

O relatório aponta ainda que a geração de vagas na indústria e na construção civil têm caído fortemente desde o início de 2014.

- Se a taxa de participação voltar para a média de entre 2008 e 2014, de 56,8%, o desemprego pode subir para 6 5%, tudo mais constante.

O texto aponta ainda que as pressões salariais continuam fortes, com os ganhos reais dos salários subindo acima da produtividade. Isso reflete, em parte, os grandes aumentos do salário mínimo.

 

Fonte: R7