Energia falta em média 40 horas

Este é o tempo que consumidor goiano ficou sem energia em 2014, segundo relatório divulgado pela Aneel

 

No ano passado, o consumidor goiano ficou, em média, 40 horas e 24 minutos sem energia elétrica, 14 minutos a mais do que em 2013. No País, o consumidor brasileiro ficou 17 horas e 37 minutos, em média, sem energia elétrica no ano passado, uma redução de 3,6% em relação a 2013. Os dados foram divulgados ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na quinta edição do documento Ouvidoria Setorial em Números - Aspectos Técnicos e Comerciais.

A distribuidora foi considerada por dois anos seguidos como a pior no ranking de qualidade da Aneel - entre as 36 maiores.

A publicação, que serve como guia para melhoria da qualidade do serviço prestado, mostra ainda que a Celg Distribuição (Celg D) recebeu mais de 1,9 milhão de reclamações. E como antecipado pelo POPULAR em reportagem do dia 10 de fevereiro deste ano, o tempo médio de resposta da distribuidora goiana para as queixas foi de 53 dias em 2014, a quarta pior média do País entre as 35 maiores distribuidoras.

O volume de reclamações aumentou 69,8% em um ano. Ligação e interrupção do fornecimento foram os motivos mais frequentes (veja no quadro). Conforme o documento, a média é de 18 a 24 queixas para cada 10 mil unidades consumidoras.

Compensação

Nos últimos quatros anos, para compensar o consumidor "em razão da transgressão dos indicadores de continuidade" do fornecimento de energia elétrica, a Celg D teve de desembolsar R$ 192,652 milhões.

Os índices de Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) e Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC) estão acima do limite estabelecido pela Aneel desde 2011. O aumento no corte de energia, de acordo com a Celg, se deu principalmente pelo aumento da temperatura.

Esse fator fez com que o sistema não aguentasse e por isso muitas interrupções aconteceram. Porém falta de investimentos, problemas de logística e gestão de equipes são alguns dos pontos já indicados para justificar o tempo que o consumidor ficou sem luz, que ficou bem acima dos limites estabelecidos e aconteceu principalmente em áreas rurais.

Diagnóstico

O diagnóstico divulgado ontem pela Aneel considerou os indicadores de atendimento e qualidade. Ao observar a piora e níveis abaixo dos limites regulatórios, a Aneel, em fevereiro, promoveu reuniões com os representantes da Celg e de outras 15 distribuidoras para discutir a adoção de medidas para aprimorar a qualidade do serviço.

O diretor de regulação da Celg D e vice-presidente da Companhia Celg de Participações (Celg Par), Elie Chidiac, explica que um plano de resultados foi entregue em abril e feita uma apresentação no dia 7 de maio na agência, que tem 30 dias para analisar o que foi programado. No documento, estão previstos investimentos até 2019.

"Levantamos quais são os fatores mais críticos da área de concessão, elencamos 53 conjuntos habitacionais mais críticos e depois fizemos um planejamento para ficar dentro dos indicadores regulatórios." Chidiac pontua ainda que entre as mudanças está o projeto de trabalho multidisciplinar de equipes para conseguir atender ligação, religação e resolver problemas de queda de energia dentro do prazo determinado.

"É um plano muito realista para realmente ser feito, de dentro das premissas financeiras e operacionais." Já com relação à ouvidoria, em que há pendências desde 2013 sem respostas, ele explica que os índices de satisfação do cliente também devem mudar. "Este ano o tempo está na ordem de três dias, porque investimos em novo sistema de TI para, assim, responder imediatamente."

Com o processo de privatização, Chidiac acrescenta que o compromisso do plano entregue à Aneel continuará. "Ele, como Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público, é inerente à concessão e quem for assumir tem de ter o mesmo compromisso de melhoria."

 

Fonte: O Popular