Dilma "vende" nos EUA seu plano de concessões

Presidente disse querer relação maior com os EUA e que o Brasil precisa de novos investimentos

 A presidente Dilma Rousseff disse ontem que quer o Brasil "com economia mais aberta e competitiva", em resposta à queixa de um empresário- que a burocracia brasileira "ainda é infernal". A fala da presidente foi em reunião fechada com banqueiros e investidores em Nova York, ontem.

Também defendeu o ajuste fiscal como "fundamental" e explicou o seu plano de concessões de infraestrutura, lançado no início de junho, que transfere rodovias, aeroportos, portos e ferrovias à administração privada.

A reportagem ouviu dois dos presentes à reunião, que pediram anonimato. Ambos afirmaram que Dilma e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, estavam "totalmente coordenados, em sintonia".

Segundo assessores, a atitude pragmática de Dilma diante do empresariado americano demonstra sua vontade de mostrar mudanças na política econômica. O governo também promoveu seminário para 470 empresários, em sua maioria estrangeiros.

A presidente foi pouco interrompida por perguntas no encontro no hotel St. Regis, que durou pouco mais de uma hora. Falou da importância da credibilidade fiscal e disse que o Banco Central "na prática já é independente".

Repetiu que quer aprofundar a relação com os EUA e que o Brasil precisa de novos investimentos americanos. Citou semelhanças entre os dois países - "democracias plurais, com liberdade de expressão e transparência."

À noite, a presidente Dilma Rousseff foi recebida pelo presidente Barack Obama em jantar na Casa Branca.

Acordo aduaneiro

Os governos brasileiro e americano assinaram ontem um plano de trabalho para, em um ano, terem o comércio bilateral facilitado, com a entrada em vigor de um Acordo de Reconhecimento Mútuo de Operador Econômico Autorizado.

Com esse acordo, empresas certificadas brasileiras poderão exportar para os Estados Unidos com mais agilidade, sem a necessidade de as cargas serem submetidas a processos de controle, como escaneamento, abertura de contêiner.

Empresas americanas certificadas também terão o mesmo tratamento na aduana brasileira.

Segundo Jorge Rachid, secretário da Receita, a assinatura desse plano de trabalho é o primeiro passo para o acordo, que deverá ser firmado em meados de 2016.

Atualmente, apenas cinco empresas brasileiras são certificadas - elas têm facilidade na hora de despachar mercadorias para fora do país. O governo espera, até 2016, certificar mais oito. Com o acordo, o primeiro de reconhecimento mútuo que o Brasil tem em vista, essas empresas terão facilidade na hora de entrar com mercadorias no país americano, o segundo maior parceiro comercial brasileiro. 

 

Fonte: O Popular