Goianiense reduz consumo para equilibrar contas

O vilão dessa história não é ninguém menos que o famoso cartão de crédito.

Após acumular quatro cartões de crédito e uma dívida de R$ 11 mil, a fonoaudióloga Amanda Caroline Vaz, 35 anos, teve o nome negativado. "Cancelei e quebrei todos os cartões. Fui comprando eletrodomésticos, eletrônicos, presentes, roupas e artigos. Quando percebi, acumulei uma dívida que é três vezes maior que a renda mensal da minha família. O resultado foi a inadimplência", afirma.

A situação da fonoaudióloga não é única. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada ontem pela Fecomércio GO, das 450 famílias goianienses pesquisadas, 52,4 % estão endividadas. O número representa um aumento de 21,2% em relação ao mês de junho, e de 16% na comparação com o mesmo período do ano passado (veja quadro).

O vilão dessa história não é ninguém menos que o famoso cartão de crédito. Para 79,7% dos entrevistados ele é o principal tipo de dívida, seguido dos carnês, 21,4%.

De acordo com o presidente da Fecomércio GO, José Evaristo dos Santos, as dificuldades de resgatar os compromissos é consequência da política adotada pelo governo federal.

Taxa Selic

"Para incentivar o mercado interno, o governo reduziu a taxa Selic, juros caíram e houve ampliação da oferta de crédito. Diante disso, as famílias compraram carros, casas, eletrodomésticos e contraíram dívidas. Só que nesse período a economia mudou e as taxas de juros foram elevadas. O resultado é um cenário de famílias em dificuldade financeira", explica.

Das famílias entrevistadas, 42,2% não terão condição de pagar as dívidas em atraso, e 38,1% pagarão essas contas parcialmente. Mas, o dado preocupante diz respeito a parcela da renda mensal da família comprometida com dívidas mensais, que engloba cheque pré-datado, cartões de crédito, fiados, carnês de lojas, empréstimo pessoal, compra de imóvel e prestação de carro. Neste caso, 50,3% afirmaram que estão com mais de 50% da renda comprometida.

"É um índice preocupante, pois o ideal é que as famílias não comprometam mais de 30% da renda mensal com dívidas. Qualquer imprevisto pode acontecer e a renda das famílias já está baixa, devido a situação econômica do País. São essas dificuldades que podem ocasionar em inadimplência", afirma o presidente da Fecomércio.

Estratégia

Diante do acúmulo de dividas, a saída encontrada pelas famílias foi tirar o pé do acelerador e frear o consumo. O resultado foi de 93, 6 pontos na Intenção de Consumo das Famílias (ICF), o índice é o menor da série histórica iniciada em 2010, o que significa que as pessoas acreditam que este não é um momento favorável para consumo.

Para os próximos meses, 42,7% dos entrevistados acreditam que o consumo de suas famílias e da população em geral será menor do que no segundo semestre do ano passado. Isso porque para 39,8% o acesso ao crédito está mais difícil, e 38,5% afirmaram está comprando menos que no ano passado.

 

Fonte: O Popular