Investigação da Lava Jato aponta propina de R$ 26 milhões para Collor

Há indícios de que parte do dinheiro desviado tenha sido usado por Collor para compra de carros de luxo em nome de empresas de fachada

Fiscais do Procon Goiás foram ontem às ruas da capital para fiscalizar os preços do litro da gasolina e do etanol nos 99 postos notificados desde a última sexta-feira para reduzir os preços. A fiscalização deve ser concluída na manhã de hoje, de acordo com o órgão de defesa do consumidor.

A assessora geral do Procon Goiás, Rosânia Nunes, explica que três equipes estiveram nos estabelecimentos. Conforme já publicado no POPULAR, a demora na fiscalização do Procon ocorre em função de encaminhamentos burocráticos. O órgão de defesa do consumidor só pôde iniciar a ação após os mandados serem enviados ao cartório e juntados ao processo.

A notificação para que os postos retornassem aos preços praticados antes do dia 23 de julho visa cumprimento imediato. "É isso que o Procon está constatando. O não cumprimento da liminar renderá multa diária de R$ 5 mil para cada estabelecimento. Os preços devem ser fixados respeitando a livre concorrência", diz Rosânia.

Consumidores afirmam que em alguns pontos de abastecimento os preços foram alterados na presença dos fiscais do órgão de defesa do consumidor. Porém, após a saída dos mesmos, os postos retornavam os valores anteriores. "Estava passando pela Avenida T-63 quando vi os valores sendo mudados para R$ 1,94 o litro do etanol e R$ 3,05 da gasolina. Quando voltei para abastecer, cerca de uma hora e meia depois, os preços já estavam R$ 2,54 e R$ 3,49, respectivamente", diz o taxista Jean Carlos de Menezes.

A determinação da Justiça, a pedido do Procon Goiás, não visa congelamento de preços e sim que os mesmos sejam fixados respeitando a livre concorrência. Por isso já ocorre uma negociação com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto) sobre a forma como o reajuste deve ser feito. A reportagem entrou em contato com o advogado do Sindiposto, que é quem responde pelas ações do órgão. Mas, até o fechamento da matéria, as ligações não foram atendidas e nem retornadas.

 

Aparecida

Em Aparecida de Goiânia, 66 postos de combustíveis foram notificados e a partir de hoje apresentarão documentação para justificar os motivos que os levaram a aumentar os preços. Se a justificativa não for plausível, os estabelecimentos serão multados. A multa, dependendo do estabelecimento, varia de R$ 542 a R$ 8 milhões.