Indústria química tem melhor desempenho no Estado

Setor é o que registrou o melhor saldo entre janeiro e julho de 2015 em Goiás. Foram criadas 5.842 vagas, mais do que o dobro da área de produtos alimentícios e bebidas

A cada três comprimidos consumidos no País, um é fabricado em Goiás. Com parque industrial consolidado e estratégias de ampliação de vendas para países da América Latina desde o fim do ano passado, a indústria química goiana tomou sua dose anual de vacina contra a crise financeira nacional. Entre os 12 subsetores da indústria de transformação, é o que registrou o melhor saldo de geração de empregos entre janeiro e julho deste ano.

Foram 5.842 vagas criadas, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mais que o dobro do segundo colocado, a indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico, com saldo de 2.238 vagas.

A estimativa é que este ano Goiás produza 1,5 bilhão de caixas de medicamentos, o mesmo volume do ano passado, resultado considerado positivo diante do cenário econômico atual. Na avaliação do presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas de Goiás (Sindifargo), Heribaldo Egídio, por ser um produto de primeira necessidade, a indústria de medicamentos é a última a sentir os efeitos da crise.

Ele ressalta que o consumo interno continua seguindo o ritmo em 2015, mas o setor tomou medidas de precaução desde o ano passado.

"Desde o último trimestre do ano passado, estamos ampliando nossas vendas para a América Latina", diz. Embora sem dados sobre o volume de vendas para fora, informa que os principais destinos são Colômbia, Peru, México, Paraguai e Bolívia.

Este ano uma gigante do setor transferiu a planta industrial do Rio de Janeiro para o Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia). Outra indústria, por sua vez, ampliou o parque, sobretudo no setor de controle de qualidade e produção. "Essas empresas contrataram mais e contribuíram para o saldo positivo", salienta. Toda essa engrenagem de ações compõem a produção das 17 plantas industriais instaladas em Anápolis e Região Metropolitana, gerando 13 mil empregos diretos.

O presidente das Indústrias Químicas no Estado de Goiás (Sindquímica), Jaime Canedo, lembra que a mão de obra do setor é especializada.

"O empresário repensa antes de demitir", diz. São considerados o custo de demissão e o valor da qualificação, em caso de contratação. Jaime explica que a indústria do cosmético ainda está segurando os trancos da crise financeira, mas a alta do dólar pode causar revés nesses números (a maioria dos insumos é importada). "O cosmético está incorporado no dia a dia das pessoas e estamos com as vendas empatadas. Mas pode ser que haja uma queda até o fim do ano entre 2% e 5%", explica.

Alimentos e Bebidas

Se no País o setor de alimentos, bebidas e álcool etílico cortou este ano 30,3 mil vagas de trabalho, conforme dados do Caged, Goiás contratou mais que demitiu.

A explicação é que o segmento absorve as matérias-primas das safras colhidas no Estado, cana-de-açúcar, milho e soja. A safra de cana-de-açúcar 2014/2015, por exemplo, teve desempenho 7% maior que a anterior, com 66,8 milhões de toneladas. "É um período de grande contratação e produção", diz o coordenador técnico da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Wellington Vieira.

Pulverizadas em todo o Estado, o destaque são as indústrias de atomatados, conservas, derivados de soja e milho. "São empresas grandes que tem um dinamismo próprio", afirma.

Confecção

A confecção fecha os três primeiros colocados na contratação de mão de obra em Goiás. O setor é forte no Estado, responsável pela contratação direta de 200 mil empregos, segundo Sindicato das Indústrias de Vestuário de Goiás (Sinvest).

A indústria foi beneficiada com a sessão de alta contínua do dólar, que atingiu ontem R$ 3,75. Isso por que ficou mais caro importar produtos de outros países. "Por outro lado, adquirir a matéria-prima de fora também ficou mais cara", ressalta Wellington.

 

Fonte: O Popular