Dólar encosta nos R$ 4, apesar de atuação do BC

Moeda à vista, referência no mercado financeiro, foi cotada em R$ 3,991, seu maior valor histórico

Preocupações com a economia brasileira e o cenário político do País voltaram ontem a impulsionar a cotação do dólar, que encostou em R$ 4, apesar de o Banco Central ter realizado leilões de empréstimos no valor total de US$ 3 bilhões para tentar conter a volatilidade da moeda americana.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve valorização de 1,88% sobre o real, cotado em R$ 3,991 na venda -seu maior valor histórico. A moeda atingiu a máxima de R$ 3,9995 durante a sessão.

Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, subiu 0,53%, para R$ 3,982. É o segundo maior valor de fechamento da história, atrás apenas dos R$ 3,990 registrados em 10 de outubro de 2002 (corrigida pela inflação, a cifra seria de cerca de R$ 6,76 hoje). A moeda atingiu a máxima de R$ 3,9990 no dia.

"O dólar amenizou a alta no final da tarde possivelmente com a sinalização por parte do (presidente da Câmara dos Deputados) Eduardo Cunha de que o Congresso pode não derrubar o veto da presidente Dilma Rousseff a pautas como o reajuste de servidores públicos, que aumentariam os gastos do governo", disse João Pedro Brügger, analista da Leme Investimentos.

"Isso não significa, porém, que ele agora está à favor do governo, nem tampouco que o ajuste fiscal será facilmente aprovado na Casa", completou. "A tensão política no Brasil e especulações de que o País poderá ter sua nota de crédito novamente cortada por agências de classificação de risco vão continuar pressionando os mercados."

O noticiário econômico da sessão de ontem colaborou para o clima de cautela. A atividade econômica brasileira iniciou o terceiro trimestre de 2015 em queda, segundo o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), que recuou 0,02% em julho na comparação com junho. Em relação ao mesmo mês do ano passado, a queda foi de 4,25%.

O cenário de deterioração fez os agentes de mercado consultados pelo BC elevarem a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2016 a R$ 4, segundo o relatório Focus divulgado ontem . Economistas também ampliaram a expectativa de retração do PIB em 2015 para 2,70%. Há uma semana, previa-se queda de 2,44%.

 

Fonte: O Popular