Com elevação de juro, sair do aluguel exige planejamento

Com alta de juros da Caixa, consórcio pode ser alternativa; mas prazo de espera é um dos inconvenientes

Com o anúncio da terceira rodada de elevação da taxa de juros do financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF) este ano, que saiu de 9,45% para 9,9% para não correntistas, o consórcio ou planejamento minucioso do financiamento são as principais dicas para sair do aluguel.

Por isso, o melhor caminho é pesquisar. A tendência é que as taxas das instituições privadas fiquem mais competitivas. Já para os investidores, a nova taxa de financiamento pode inviabilizar os negócios. Esse índice vale somente para os contratos assinados após o dia 1º de outubro.

No caso do consórcio, embora não tenha a figura dos juros embutido nos valores das parcelas, o consumidor deve ficar atento ao preço da taxa administrativa. Segundo especialistas, essa alternativa pode baratear até 20% o valor do imóvel, mas possui o inconveniente do prazo de espera, que pode ser longo. "Dependendo da quantidade de recurso disponível, ele pode utilizar a estratégia de dar o lance e adquirir o imóvel antes", afirma a educadora financeira, Cíntia Senna.

Com o aumento da taxa de juros do financiamento, o impacto direto será a necessidade de poupar mais para garantir uma entrada maior, reduzindo o saldo devedor. O preço da parcela do financiamento está longe de ser a única despesa considerada no montante. Há taxas de condomínio, cartorárias, Imposto Sobre Transmissão de Imóveis (ISTI). Por isso, é preciso colocar tudo na ponta do lápis. "O sonho para sair do aluguel pode até ser retardado, mas não acredito que não devam ser realizadas. Ainda compensa financiar um imóvel para fugir do aluguel", orienta o economista Antônio Teodoro.

Conforme Cíntia, o dinheiro deve ser dividido em três parcelas: entrada, aporte para melhorias (reforma ou móveis) e documentação (veja quadro). Entretanto, não é recomendável aplicar todos os recursos armazenados nessa movimentação.

Ela aconselha guardar um fundo de reserva para quaisquer tipos de eventualidades num período médio de seis meses. Uma estratégia é fazer aplicações em fundos de renda fixa como CDBs, Tesouro Direto ou LSI.

Antônio Teodoro enfatiza que o ideal é que a parcela não ultrapasse 25% da renda líquida familiar. Ele orienta uma poupança mensal para quitar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), contratação de seguro contra incêndios e outros danos. "Se for imóvel usado, não se esquecer de reservar dinheiro para a reforma", explica.

Taxas

As taxas de financiamentos cobradas pelas instituições financeiras dependem de uma série de componentes: se é ou não cliente do banco, histórico financeiro, grau de risco, renda e até se recebe o salário por meio da instituição.

Na avaliação de Antônio Teodoro outros bancos operadores tornarão mais competitivos. "É momento de buscar outros bancos mesmo quando você não for correntista", explica.

O Santander, por exemplo, a menor taxa anual para clientes sem relacionamento é de 10,10% mais Taxa Referencial (TR) podendo atingir até 11,30% mais TR, dependendo do tipo de segmento. Essas taxas valem para imóveis de R$ 40 mil até R$ 650 mil. Já no Banco do Brasil, a taxa balcão é de 11,29%. A reportagem entrou em contato com outros dois bancos, Itaú-Santander e Bradesco, mas não obteve resposta desejada.

Investimento

Para o economista, a escalada de juros prejudica investidores que adquirem imóveis para revendê-los com ágio. "A elevação do financiamento inviabiliza a operação", explica Antônio Teodoro. Nesse casso, segundo ele, o investidor terá que refazer cálculos para não ficar no prejuízo.

 

Fonte: O Popular