Pão francês vai ficar mais caro

Alta do dólar puxa preço do trigo em pleno início de safra. Panificadoras calculam reajustes

O novo recorde da cotação do dólar, que vem no engate das preocupações do mercado com a fragilidade da economia e dissenso político, além das turbulências externas, promove mais uma baixa no bolso do consumidor. Em pleno início de safra de trigo, o produto vai ficar 20% mais caro até outubro, sendo que a metade desse repasse é imediata. Pegos de surpresa, o setor de panificação debruça em cálculos. O certo é que, ao contrário do anúncio de 9% do preço do quilo do pão francês feito mês passado, será superior.

Com o início da safra de trigo, a tendência era de que os preços se acomodassem.

Por conta disso, os moinhos costumam trabalhar neste período com o estoque baixo a fim de aproveitarem os reflexos da colheita da matéria-prima. "A disparada do dólar pegou os moinhos desprevenidos, em um momento em que ninguém possui estoque regulador para segurar por muito tempo", explica o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo (Sinditrigo), André Lavor.

Conforme ele, o quinto dia de recorde da moeda foi o gatilho para o reajuste de um setor que já vinha pressionado pelo aumento das taxas de energia, água e esgoto. "Chegamos ao limite. Temos que aumentar em 20%, mas vamos escalonar por que ninguém pode passar isso de forma imediata", ressalta.

Pão Francês

Conforme adiantou O POPULAR mês passado, a perspectiva é que o valor do quilo do pão francês ficasse 9% mais caro nesta semana. Mas, conforme o presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Estado de Goiás (Sindipão), Luiz Gonzaga, esse cálculo vigorava apenas as perdas com aumentos de custos acumulados ao longo do ano, como tarifas e mão de obra.

"O que falei ontem já não vale para hoje. Temos que avaliar tudo novamente. Já existem panificadores que estão descapitalizados por conta de todos estes aumentos", diz. Ele explica que o setor deve rever os custos após a elevação do preço de sua principal matéria-prima.

Segundo Luiz Gonzaga o setor conseguiu segurar o preço até o momento em função da diversificação.

 

Fonte: O Popular