Atendimento normal deve ser retomado só na quinta

Servidores aguardam assinatura de acordo com o governo para definir "força-tarefa";no Estado, cerca de 180 mil procedimentos deixaram de ser realizados durante a greve

A greve dos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) terminou na última sexta-feira, mas o atendimento normal ao público deve ser retomado apenas na quinta-feira. Ontem, o movimento era considerado tranquilo nas agências em Goiânia. Quem agendou pela Central Telefônica 135, conseguiu ser atendido. Todavia, para pôr em dia o trabalho, após quase três meses de paralisação, governo e funcionários aguardam a assinatura de acordo, marcada para hoje.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde e Previdência em Goiás (Sintfesp-GO), cerca de 180 mil atendimentos deixaram de ser feitos no Estado. No Brasil, mais de 15 milhões. A presidente do Sintfesp-GO, Terezinha de Jesus Aguiar, explica que, para amanhã, está combinado que serão feitos serviços internos, para organizar as tarefas para que, enfim, na quinta-feira, os servidores possam retomar o atendimento ao público.

"É preciso preparar uma forma para não tumultuar a porta das agências", diz. Ela pontua ainda que uma "força-tarefa" deve ser organizada para dar conta dos serviço atrasado. De 50 agências no Estado, cerca de 35 funcionaram parcialmente. Dos 900 servidores, 46% aderiram à greve, de acordo com o sindicato. Nos últimos seis anos, foram quatro paralisações, sendo a deste ano a mais longa - 78 dias. "O que deve encher as agências é o atendimento espontâneo, quando o segurado procura a agência sem agendar pelo 135. Geralmente, são pequenos atendimentos, caso de acertos, benefícios bloqueados, dar baixa em caso de óbito e pegar comprovante para empréstimo", exemplifica.

Por meio de nota, o INSS informou que, com a apresentação das propostas do governo federal às reivindicações dos servidores da Carreira do Seguro Social e a previsão da assinatura do Termo de Acordo entre as entidades sindicais e o governo, nesta semana, o órgão espera que o atendimento seja normalizado nos próximos dias. O acordo prevê o reajuste de 10,8% em duas parcelas, incorporação de gratificação para quem se aposentar e progressão funcional por tempo de serviço.

Vai e vem

Quem esperou que com o fim da paralisação, anunciado na sexta-feira, fosse ser atendido e não se informou antes de sair de casa, perdeu tempo ontem. Esse foi o caso do sapateiro Valdeir Oliveira Costa, de 66 anos, que foi à agência do Centro da capital pela quinta vez para tentar garantia de um salário mínimo mensal pelo Benefício da Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social (BPC/LOAS).

"Falaram que a greve tinha terminado. Vim conferir e nada. Estou em situação difícil, sem força para trabalhar e desgastado pelo vai e vem." Como ele, a reportagem encontrou poucas pessoas que entravam e logo saiam com a notícia de que não seriam atendidas. A orientação do Instituto é para que os segurados entrem em contato com a Central para evitar os deslocamentos desnecessários.

Foi o que fez o técnico em telecomunicações Daniel Fernandes, de 30 anos. Ele sofreu acidente de moto e quebrou o joelho. "Considero que fui um sortudo, vim apenas uma vez e vou conseguir receber no tempo que era preciso", comemora. Na mesma agência, no Setor Leste Universitário, outros não tiveram a mesma sorte. O motorista Benevaldo Santos de Castro, de 45 anos, teve de ser persistente para conseguir documentação que tenta desde julho. "Saí de onde trabalhava, já arrumei outro serviço e só agora consegui pegar uma senha para ser atendido", disse, aliviado.

Fonte: O Popular