Preços sem graça e amargos

Reflexo da onda de calor, preços do chuchu e jiló têm altas de até 233% e 100%, respectivamente

A população goiana já sente aquecer no bolso os efeitos das altas temperaturas que atingem o Estado. Os preços de algumas verduras e legumes mais que dobrou na Central de Abastecimento do Estado de Goiás (Ceasa - GO), nas feiras e nos supermercados. O chuchu teve alta de 223% entre setembro e outubro, já o jiló e o pepino apresentaram aumento de 100% no preço (veja quadro).

A seca é um dos principais motivos para o encarecimento, visto que também influência o custo de produção. De acordo com o gerente técnico da Ceasa, Josué Lopes Siqueira, havia uma oferta maior desses produtos, mas a produção foi afetada. "O cenário inverteu em outubro, há mais procura do que oferta, o que, consequentemente, eleva os preços."

O consultor técnico da Faeg, Alexandro Alves, explica que a seca atinge o ciclo fisiológico das plantas de forma direta, diminuindo a produção. Além disso, os produtores que contam com a irrigação para solucionar o problema enfrentam dificuldades com as secas em reservatórios e lagos.

"Tanto calor quanto chuva em excesso afetam a produção das hortaliças. Nem todos os produtos possuem estrutura de estufa para garantir a produção. A maioria deles, em Goiás, plantam a céu aberto e estão sujeitos aos prejuízos causados pelas intempéries climáticas", diz Alexandro.

Desgosto

A reportagem percorreu feiras e supermercados da capital e o resultado foi desapontamento entre feirantes e consumidores. Everildo Ribeiro Leão é feirante há 42 anos e conta que é comum nessa época do ano os preços aumentarem, mas não com a mesma proporção que ocorreu neste mês.

"Calor e chuva em excesso fazem perder mais rápido verduras e legumes. No começo do mês passado eu pagava R$ 30 na caixa de 22 Kg do chuchu, nessa semana paguei R$ 100. É um aumento que tem que repassar ao consumidor", afirma Everildo.

Contudo, os feirantes afirmam que, para não assustar o cliente, a alta é distribuída também aos demais alimentos que estão com preços melhores. "No caso do pepino, jogo um pouco do aumento para o repolho e nas verduras para a cebola e batata, que estão com preços mais baixos", conta o feirante Ricardo Emanuel de Oliveira.

A dona de casa Heloisa Aires da Silva, 68 anos, faz feira duas vezes na semana e diminui a quantidade de chuchu e pepino comprados, substituindo os alimentos por outros. No caso do jiló, o produto é deixado de lado. "Está pesando no bolso, é preciso optar por produtos da época que estão mais em conta."

Fonte: O Popular