Banco Central mantém taxa de juros em 14,25% ao ano

Desde julho, a instituição afirmava que pretendia atingir esse nível de inflação em 2016.

 O Banco Central manteve a taxa básica de juros em 14,25% ao ano, como era esperado pelos economistas, mas sinalizou que a inflação vai demorar ao menos dois anos para chegar a 4,5%, o centro da meta estipulada pelo governo. Na visão de analistas, isso significa que esse objetivo foi adiado de 2016, como insistia o Banco Central até o mês passado. Desde julho, a instituição afirmava que pretendia atingir esse nível de inflação em 2016.

Ou seja, o BC ganhou tempo para atacar a inflação sem ter de usar de aumentos adicionais de juros pouco antes de a economia entrar no segundo ano seguido de recessão. A mudança sutil no discurso é relevante para os investidores. Quem esperava um aumento adicional de juros, possivelmente em novembro (as projeções indicavam essa tendência), agora deverá se conformar com a taxa Selic em 14,25% por um bom tempo.

Agora, o BC afirma que vai manter os juros nesse patamar "por período suficientemente prolongado" para alcançar essa meta "no horizonte relevante da política monetária", período que vai até outubro de 2017.

No comunicado da decisão, o BC afirmou também que "a política monetária se manterá vigilante para a consecução desse objetivo", expressão que indica a possibilidade de novas altas de juros em caso de forte alta da inflação ou das projeções para os índices de preços.

A decisão de manter os juros foi anunciada no mesmo dia em que o IPCA-15, uma espécie de prévia do índice oficial de inflação, alcançou 9,8% em 12 meses. A principal dúvida entre os analistas era se a instituição manteria a estratégia de trazer a inflação para a meta no próximo ano ou se jogaria a toalha e adiaria o compromisso para 2017.

A instituição ainda poderá dar uma sinalização nesse sentido na quinta-feira (29), quando será divulgada a ata desta reunião do Copom. As últimas projeções coletadas pelo BC na pesquisa Focus mostram que o mercado espera que os juros sejam mantidos nesse nível, pelo menos, até junho de 2016. Em relação à inflação, a estimativa para 2016 está em 6,12%, próxima do limite de 6,5%.

O BC chegou a dizer que voltaria a subir os juros se as projeções de inflação se distanciassem "de forma significativa" dos 4,5%, mas não o fez até o momento. Na avaliação de vários analistas, um aperto monetário adicional traria muitos custos para a atividade e pouco resultado em termos de conter a inflação.

A instituição tem dito que precisa manter os juros elevados para que a alta da inflação causada pelo dólar e pelo reajuste de tarifas e preços controlados não se espalhe por toda a economia. O desemprego causado pelo aperto na taxa, por exemplo, evita o repasse de toda a inflação para os salários.

Os juros, por outro lado, não têm efeito sobre o câmbio, neste momento, nem sobre decisões em relação a preços de combustíveis. São esses os fatores, segundo o governo, que levaram à piora nas projeções para o índice de preços neste e no próximo ano.

 

Fonte: O Popular