Fitch diz estar preocupada com crescente peso da dívida do Brasil

Fitch rebaixou a nota do Brasil de 'BBB' para 'BBB-', mas manteve o país dentro da classificação de grau de investimento, espécie de selo de país bom pagador da sua dívida.

A agência de classificação de risco Fitch expressou preocupação nesta quarta-feira com a deterioração das contas públicas do Brasil, após o governo informar que o país terá déficit primário recorde neste ano.

A agência, que cortou o rating do Brasil para o último degrau antes do grau especulativo há menos de duas semanas, disse que a decisão do governo de desistir da meta fiscal para 2015 enfatiza os "crescentes desafios que o Brasil enfrenta para consolidar suas contas fiscais".

"A derrapada fiscal e o crescente peso da dívida do governo têm sido fonte de preocupação para nós", disse a diretora da Fitch Shelly Shetty, em comunicado.Ela destacou que a agência Fitch mantém a perspectiva negativa para a classificação "BBB-" do Brasil, o que significa que o rating pode ser cortado novamente no caso da "continuidade do fraco desempenho econômico e fiscal".

No dia 15, a Fitch rebaixou a nota do Brasil de 'BBB' para 'BBB-', mas manteve o país dentro da classificação de grau de investimento, espécie de selo de país bom pagador da sua dívida. Na ocasião, a Fitch justificou o rebaixamento, citando o crescente peso da dívida do governo do Brasil, o aumento dos desafios para a consolidação fiscal e a piora do cenário para o crescimento econômico.

Rombo de ao menos R$ 51,8 bi

Na véspera, o governo revisou para baixo a meta fiscal de 2015 para um déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar os juros da dívida pública) de R$ 51,8 bilhões, o equivalente a cerca de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), - o maior rombo fiscal da história para as contas do governo.

O governo admitiu também que o valor do déficit pode ser ainda maior.

No ofício encaminhado ao Congresso pelos Ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão e da Fazenda encaminhado ao Congresso Nacional, o governo informou que a previsão de rombo para as contas públicas neste ano também não incorpora as chamadas "pedaladas fiscais" - que são os atrasos de pagamentos do governo a bancos públicos, de modo que o déficit tende a ser maior ainda neste ano.

A equipe econômica disse ainda que a nova meta considera receitas de R$ 11,05 bilhões para os leilões de hidrelétricas. Caso essa receita seja frustrada, diz o documento, o déficit primário poderá ser maior ainda - de R$ 62,87 bilhões para as contas do governo federal.

 

Fonte: G1