INSS: Dobra a espera por perícia

Para conseguir atendimento, o tempo de espera mais que dobrou, passando de 20 para 49 dias por causa da greve que completa hoje 69 dias.

O cidadão que sofre acidente ou fica doente precisa ser examinado por médico perito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para receber seu benefício. Só que, para conseguir atendimento, o tempo de espera mais que dobrou, passando de 20 para 49 dias por causa da greve que completa hoje 69 dias. O Ministério da Previdência Social estima que aproximadamente 600 mil perícias não foram realizadas desde o início da paralisação no País.

Em outubro, cerca de 25 mil pessoas já haviam deixado de passar por perícias em Goiás em 48 dias da greve. A capacidade de realização de perícias foi reduzida em 50%. Entre setembro e outubro, foram remarcados no País mais de 450 mil exames periciais, sendo 245 mil perícias iniciais, 164 pedidos de prorrogação e 41 mil pedidos de reconsideração. O operador de máquinas, Geraldo Rodrigues de Souza, de 46 anos, faz parte deste grupo.

Ele agendou em setembro a perícia que deveria ter sido feita ontem no Setor Universitário, em Goiânia. Terá de ser ainda mais paciente, foi remarcado para 26 de janeiro. "Fazer o quê? Está difícil demais para o trabalhador que não falha a contribuição. Só deu tempo de beber água", relata sobre ida ao INSS. Geraldo quebrou dedo da mão direita e está afastado há dois meses, 15 dias recebeu da empresa, por isso está em situação difícil por ter de esperar ainda mais pelo benefício. "Nem dói tanto mais. Só que para a empresa me aceitar, o INSS tem de liberar", explica.

Direitos

Os direitos dos segurados serão mantidos, de acordo com o INSS. Dessa maneira, como no caso de Geraldo, que compareceu na data marcada mas não foi atendido, se o cidadão for beneficiado, os valores a serem concedidos "retroagem à primeira data agendada", como diz nota enviada à reportagem. Além disso, é direcionado aos peritos que permanecem em atendimento o atendimento prioritário a segurados que estão sem receber benefícios e os que aguardam perícia para retornar ao trabalho.

A orientação é para que os segurados entrem em contato com a Central de Atendimento 135 para tirar dúvidas e realizar reagendamentos necessários. Segundo o representante da associação dos médicos peritos em Goiás, Hugo Ludovico Martins, 30% dos servidores permaneceram no trabalho desde o início da paralisação, dos 140 no Estado. Ao todo, no País, são 4.378 peritos, com salários de R$ 11,3 mil a R$ 16,2 mil.

O Ministério da Previdência informou que respeita o direito constitucional de greve, mas reconhece as dificuldades impostas à população. As negociações são conduzidas com a categoria pelo Ministério do Planejamento, que explicou, por nota, que a principal reivindicação é redução da jornada de trabalho, de 40 para 30 horas, sem redução da remuneração e que "esta questão está sendo estudada e avaliada pela bancada de governo" e que nos próximos dias pretende apresentar uma proposta de Termo de Acordo.

 

Fonte: O Popular