Devido a greve, gás de cozinha é vendido a R$ 90

Paralisação de petroleiros há 20 dias já afeta a distribuição, e produto registra alta de até 55% em Goiânia

A disputa por um botijão de gás segue acirrada nas distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), ou gás de cozinha, como é popularmente conhecido. Para garantir o almoço de domingo da família, o mecânico de autos, Thiego Guimarães dos Santos, 35 anos, desembolsou R$ 90 em um botijão, isso após percorrer seis pontos de vendas e não encontrar o produto.

Há um mês, Thiego pagou R$ 58 em um botijão, o que corresponde a um aumento de 55% no preço no período. "Tentei desconto, mas não consegui. Era o último botijão que tinha na distribuidora e eles avisaram que era pagar os R$ 90 ou outra pessoa pagaria. O preço é abusivo e me sinto lesado como consumidor, por isso a saída é tentar economizar o quanto puder", lamenta.

Em Goiânia, o preço médio do gás de cozinha era encontrado entre R$ 55 e R$ 60. Ontem, a reportagem entrou em contato com algumas revendedoras e constatou variação no preço entre R$ 60, chegando e R$ 110. A justificativa é a greve dos petroleiros, que diminuiu a produção do produto e, consequentemente, afetou a distribuição em várias regiões do País.

O presidente do Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás da Região Centro-Oeste (Sinergás), Zenildo Dias do Vale, afirma que o sindicato não apoia condutas de aumento abusivo e que os preços são estabelecidos por cada estabelecimento comercial, segundo a lei da livre concorrência.

Justificativa

Vale estima que 40% das distribuidoras goianas foram afetadas com a queda de 50% na distribuição do gás de cozinha. Segundo ele, o produto também está em falta em outros Estados, como Minas Gerais, Tocantins, além do e Distrito Federal - localidades que são abastecidas, em sua maioria, com gás produzido no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde ocorrem as paralisações.

"Poucas companhias possuem gás. Então, o aumento é justificado diante da lei da oferta e procura. Tem demanda, mas não tem o produto. Mas o Sindicato não concorda com aumentos abusivos, sem justificativas. O preço que estabelecemos é a média de R$ 60 por botijão", afirma.

Ainda não foi constado alinhamento de preços nas distribuidoras. O Procon-GO informou que está verificando através de pesquisas o aumento no valor do gás de cozinha. Se for constatado irregularidades, o órgão de defesa do consumidor afirma que tomará as medidas cabíveis.

Nas distribuidoras e revendedoras, há variação de preço, e a única certeza é que houve queda de 50% no recebimento do produto. É o caso da revendedora Gásbal, que só recebeu a metade da carga. Algumas distribuidoras alegam que o aumento no preço se dá porque o pedido é realizado na Bahia, o que aumenta o valor do frete e os gastos são passados ao consumidor.

O proprietário da revendedora Elohi Gás, Fábio Barbosa Ferreira, afirma que de 80 botijões recebidos diariamente, tem recebido agora só 40. "Estou com pedido para abastecimento, mas sempre vem só a metade. Já tem reservas para gás que ainda nem foi entregue. Toda a mercadoria esperada está, praticamente, toda vendida", afirma.

Com as vendas incompletas, as empresas justificam que mesmo sem o recebimento do produto, as despesas continuam as mesmas, com funcionários, água, energia e que, por isso, é necessário repassar o aumento no preço do botijão.

Greve

Os petroleiros estão em greve desde o dia 29 de outubro, apoiados por sindicatos que compõem a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e também a Federação Única dos Petroleiros (FUP). A categoria pede reajuste salarial de 18% e protesta contra o plano de venda de ativos da Petrobras, de mais de US$ 15 bilhões até 2015, além questões relacionadas aos direitos dos trabalhadores.

Há assembleias previstas para essa semana, quando devem avaliar as propostas da Petrobras.

 

Fonte: O Popular