Cuidado nos terminais e atenção redobrada nos ônibus

Estudo da Policia Civil mapeou assaltos e mostrou que os crimes são mais praticados dentro da própria linha da Metrobus

Não são os terminais, nem mesmo as plataformas onde os usuários aguardam até tarde da noite no Eixo Anhanguera os lugares mais perigosos da linha. Um estudo da 1ª Delegacia Regional de Polícia de Goiânia mostrou que os próprios ônibus são os espaços mais arriscados para aqueles que transitam pela extensão do Eixo.

O levantamento da Polícia Civil (PC) levou em consideração os boletins de ocorrência de roubo registrados nos últimos três meses para identificar o modo de operação dos criminosos no Eixo Anhanguera. "Optamos pelo roubo porque é onde a vítima consegue identificar mais características dos suspeitos e onde foram abordadas. Nos furtos, muitas vezes a pessoa só se dá conta muito depois do ocorrido. Além disso, esse estudo é para ter um retrato mais fiel do Eixo e também para subsidiar as investigações apontando os horários e lugares com mais ocorrência para embasar o policiamento", afirmou o delegado Regional adjunto da Polícia Civil, Pedro Garcia Caires.

A partir desse levantamento a PC pretende identificar grupos e também aqueles que recebem os celulares roubados. "A partir de agora, por meio das prisões efetuadas, identificaremos alguns dos autores para saber se há reincidência dos crimes e se há de fato um grupo especializado nos roubos e na receptação dos celulares, que são os mais roubados. Até o momento, ao que tudo indica, a grande maioria é aleatória", disse Caires.

A reportagem do Popular mostrou na semana passada com exclusividade que a cada duas horas e meia alguém é roubado ou furtado ao longo da linha na região metropolitana de Goiânia. Nos dez primeiros meses foram registradas 2.760 ocorrências dessa natureza. "Mas essa pode não ser a realidade, porque nem todas as vítimas registram a ocorrências", contou Caires. "Além disso, falta toda a estrutura de segurança no Eixo. A Metrobus é negligente nesse sentido. Não há investimento em segurança. Faltam câmeras nos terminais e nos ônibus, segurança privada. Mesmo que seja estatal, a empresa aufere lucro e, assim como shoppings e bancos, precisa dar o suporte", completou.

O presidente da Metrobus, Marlius Braga Machado, relata que um convênio foi firmado ontem junto à Guarda Civil Metropolitana. "Esse patrulhamento mais ostensivo já começou a ser realizado e a partir de agora será reforçado para dar mais segurança aos usuários. Temos ainda o apoio da Polícia Militar, que também intensificou a ação".

A Guarda Civil Metropolitana irá atuar com um efetivo de 60 guardas ao longo da linha, segundo o subcomandante da corporação, Valdimir Passos. A Polícia Militar, por sua vez, continua com a ação nos terminais. "As viaturas já ficam posicionadas em todos os terminais em tempo integral. Das 16 horas até às 19 horas disponibilizamos ainda mais três viaturas na Praça A, Praça da Bíblia e Padre Pelágio, que são os terminais mais movimentados", informou o comandante do policiamento da capital, coronel Divino Alves.

No entanto, o coronel destacou que o principal problema, assim como o estudo da Polícia Civil, está dentro dos ônibus. "Os ladrões ficam nos terminais sem cometer nenhum delito. Agora quando ele entra no ônibus, não se tem vigilância, câmeras funcionando. Iremos colocar policias sem farda nos ônibus, mas não temos efetivo suficiente para todos os veículos. É preciso também voltar com a segurança que se tinha até um tempo atrás nas plataformas", criticou.

Fiscalização

A Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), responsável pela fiscalização da Metrobus, informou que tem feito reunião junto à Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás para discutir medidas para ampliar a segurança no transporte coletivo. Em nota, a companhia solicita o reforço do policiamento. O presidente da CMTC, Murilo Guimarães Ulhôa, disse que está discutindo com a Metrobus outras medidas. O retorno dos seguranças é uma delas.

 

 

Fonte: O Popular