Celg D é avaliada em R$ 5,2 bi

Outro fator que deve ser considerado é que há dívida da Celg Participações (CelgPar) com a Caixa Econômica Federal de R$ 1,9 bilhão e uma cláusula contratual dá direito ao banco pleitear antecipação em caso de venda da participação.

O Conselho Nacional de Desestatização (CND) publicou ontem resolução no Diário Oficial da União em que define o valor mínimo de venda da Celg Distribuição (Celg D). A companhia foi avaliada em R$ 5,2 bilhões pela Corporação Financeira Internacional (IFC), membro do Banco Mundial, que foi contratada pelo BNDES. Com a privatização, Eletrobras e Celg Participações (CelgPar) irão receber juntas pelo menos R$ 2,8 bilhões com a venda de todas as ações por ter descontado no valor a dívida líquida da empresa. Porém, acionistas pediram correções para tentar chegar a R$ 3 bilhões.

Havia expectativa do governo goiano de que a distribuidora fosse avaliada entre R$ 6 bilhões e R$ 10 bilhões, o que geraria para o Estado e União maior retorno com o leilão, que é previsto para o primeiro trimestre de 2016. Assim, com metade do preço mínimo alcançado, a estratégia é promover a companhia por meio de eventos (road show) tanto no Brasil como em outros países. Isso para garantir maior competição e obter um valor final acima do mínimo, como defende o presidente da CelgPar, Fernando Navarrete. "O que garante maior agilidade é maior competição."

A secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão, acrescenta que já era esperado que o valor da distribuidora ficasse abaixo do que era especulado tendo em vista seu grau de endividamento. Ressalta ainda que a avaliação considera o quanto a empresa vale de fato, sua estrutura econômica-financeira, e não o momento atual da economia. "Quantidade de interessados e quanto estão dispostos a pagar não consideram o dia de hoje, mas um longo prazo e um Brasil com expectativa de crescimento." Acrescenta ainda que, para as contas do Estado, considera a Celg como "colchão de investimento", pois desconsidera o valor a receber pela Celg D no orçamento de 2016.

Divisão

"Temos dificuldade de acesso a recursos do governo federal, as fontes estão mais restritas, a Celg é possibilidade de fazer investimentos, não entra nas projeções do Tesouro", afirma a secretária. Esse bônus, segundo ela, o governo ainda estuda como dividiria, porém já estava definido que grande parte iria para infraestrutura e para saldar dívidas. Outro fator que deve ser considerado é que há dívida da Celg Participações (CelgPar) com a Caixa Econômica Federal de R$ 1,9 bilhão e uma cláusula contratual dá direito ao banco pleitear antecipação em caso de venda da participação.

Para não restar tão pouco para Goiás, Navarrete explica que é negociado com o banco a cláusula e não há nada concluído. Da mesma forma, a CelgPar, holding controlada pelo governo estadual, ainda vai definir se venderá todas ou parte de suas ações, o que é facultado pela resolução do CND. Está previsto para a próxima sexta-feira reunião do conselho para avaliar o porcentual de ações que será colocado à venda. Se fizer em conjunto com a Eletrobras, a estatal goiana teria oportunidade de capturar o mesmo valor da sócia majoritária nas ações, o que não ocorrerá posteriormente. "A oportunidade tem de ser avaliada com atenção, pois não haverá outra oportunidade para agregar o valor de controle." Por isso é esperado que a venda ocorra em conjunto com a Eletrobras.

 

Fonte: O Popular