Reforma da Previdência é para novos trabalhadores, diz ministro.

Reforma da Previdência é para novos trabalhadores, diz ministro.

BRASÍLIA - Ao abrir a reunião do Fórum que vai discutir a reforma da Previdência, o ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) afirmou que as mudanças vão atingir apenas quem está ingressando no mercado de trabalho. A reforma, disse, não vai pegar quem está prestes a se aposentar, preservando direitos adquiridos. O ministro destacou, no entanto que o governo não tem uma proposta fechada e que esta é uma oportunidade para "concertação".

Berzoini, que já foi ministro da Previdência do governo Lula, disse que o sistema previdenciário brasileiro continuará sendo "de repartição e solidário", ou seja, um sistema no qual todos contribuem para garanti-lo. Esses são temas sagrados para o governo. Sem citar a rejeição da reforma por parte de sindicatos e de setores de seu próprio partido, o ministro reconheceu que a discussão é delicada e gera conflitos.

"Como tratar desses temas delicados, muito caros, sem que haja um nível de conflito que muitas vezes dificulta o trabalho de ambas as partes. É um tema decisivo para o país", discursou, citando o momento difícil por que passam a economia brasileira, internacional e o mercado de trabalho nacional.

Ao fim da reunião, o ministro da Previdência, Miguel Rossetto, disse que o governo irá traçar um roteiro para construir diagnósticos sobre a situação do regime geral da Previdência e o regime dos servidores públicos. E, a partir daí, elaborar cenários futuros para moldar uma proposta de reforma da Previdência. A falta de dados concretos sobre a situação da Previdência foi uma das reclamações feitas por Wagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT),que também participou da reunião.

O líder da CUT confirmou que o governo não chegou a apresentar propostas, mas, de antemão, já disse que não aceita negociar uma reforma que estabeleça uma idade mínima para a aposentadoria e nem a unificação de regras para homens e mulheres.

"As mulheres têm jornada dupla, tripla", argumentou Freitas. Apesar de todo o cuidado do governo para não melindrar a relação com as centrais sindicais, será trabalhoso o processo de negociação com os sindicalistas. Antes da reunião do Fórum, os dirigentes das centrais sindicais combinaram que a prioridade é discutir medidas para estimular o crescimento da economia e geração de empregos.

"Estamos com a cabeça em 2016, não em 2027", disse o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves.

O Fórum é composto por representantes das centrais sindicais e dos empregadores, com a participação de vários ministros. Foi criado em abril do ano passado, instalado em setembro. Esta é a segunda reunião do grupo.

FONTE: SITE FORÇA SINDICAL.