Setor industrial pode alcançar uma economia de até 30%

Setor industrial pode alcançar uma economia de até 30%

O cenário econômico nacional não traz confiança ao empresariado, que sente o reflexo do aumento dos juros e do preço da matéria prima. Em meio a tantos problemas, a conta de energia elétrica tem sido outro vilão que encarece ainda mais a produção, visto que as tarifas tiveram alta de 50% no ano passado. Contudo, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial em Goiás (Senai - GO) mostra que se houvesse mais informação das empresas sobre a composição dos custos, haveria uma economia de até 30% na conta de energia.

A pesquisa realizada pelo órgão mostra que 75% das empresas não sabem informar o impacto do aumento da energia no custo do produto. Embora a grande maioria, 87% dos entrevistados, tenha conhecimento das áreas que mais consomem energia, 61% das indústrias já pagaram multa por excedente de demanda.

Sobre a busca de soluções para diminuir o peso da energia elétrica, o estudo revela que 35% das empresas não investem em programas de eficiência energética e 32% não têm noção da eficiência energética de seus equipamentos. Para não interromper as atividades, algumas indústrias goianas já estão abusando de práticas que reduzem o consumo do insumo.

Como é o caso da Ferrobraz, que já trocou as lâmpadas convencionais por lâmpadas de LED e não utiliza iluminação artificial durante o dia. Além disso, o diretor industrial da empresa, Luciano Allen, explica que há um estudo para troca de fios e cabos elétricos para melhorar a eficiência dos motores. E planejamento para o desenvolvimento de um gerador cinético, para substituir os atuais a base de óleo diesel.

A meta da empresa é reduzir, de forma imediata, 30% da conta de energia. "Dentro de um ano teremos condução de redução de até 92% na tarifa. Isso porque além da instalação da energia cinética, estamos alterando nossos programas de controle, para visualizar quais são os gastos de cada processo produtivo. Isso nos dará mais competitividade no mercado, em meio ao cenário econômico", afirma Luciano.

Economia

O engenheiro e coordenador da área de Serviços de Tecnologia e Inovação do Senai -GO, Paulo Okigami destaca que uma boa gestão da energia começa pela administração eficiente da fatura, equilibrando a demanda contratada e o consumo efetivo, o que elimina desperdícios e ainda evita que a empresa tenha de retornar ao mercado para contratar cargas adicionais.

Paulo explica que a implantação de programas de eficiência energética nas empresas pode trazer economias que variam de 10% a 30% no consumo de energia e, portanto, na fatura, dependendo do porte da empresa e seu estágio de desenvolvimento tecnológico.

"De acordo com programa escolhido e o tamanho do investimento exigido, o retorno pode ocorrer num intervalo entre 6 a 10 meses, em projetos que envolvam mudanças nos sistemas de iluminação e nos motores, variando de 10 a 20 meses em projetos mais amplos, que vão exigir troca de equipamentos e de sistemas", afirma.

A troca de equipamentos foi a prática adotada pela All Nutri Alimentos. De acordo com o gerente de produção da empresa, Marcos Costa Silva, dois modelos de equipamentos utilizados em todas as linhas de produção estão sendo trocados para maior modernização no processo de beneficiamento de arroz e feijão.

"Depois dos equipamentos instalados, a economia será de 15%. A expectativa é de que tal processo possibilite mais competitividade no mercado. O estudo mostrará onde estão os maiores gastos e como reduzi-los", afirma Marcos.

Fonte: O Popular