51% dos brasileiros definem sua atual situação financeira como ruim

Confiança do brasileiro chega ao pior nível dos últimos 11 anos

O Índice Nacional de Confiança da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) registrou 64 pontos em abril - pior resultado desde que a pesquisa começou a ser feita, em abril de 2005. Em março de 2016, a confiança foi de 73 pontos e, em abril do ano passado, 103 pontos. Os valores entre 100 e 200 significam otimismo e os abaixo de 100 representam pessimismo. Segundo a ACSP, no intervalo de apenas um ano, o brasileiro deixou o campo otimista e se tornou profundamente pessimista.

A confiança do consumidor paulista também bateu novo recorde de baixa, despencando de 57 pontos em março para apenas 48 pontos em abril. Há um ano, o INC do estado foi de 89 pontos. Segundo a entidade, por ser mais industrializada, a região é mais sensível aos efeitos da crise econômica.

O Índice Nacional de Confiança mede a confiança e a segurança do brasileiro quanto à sua situação financeira ao longo do tempo. Indica a percepção da população sobre a economia e prevê o comportamento do consumidor no mercado.

A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 14 de abril em todas as regiões brasileiras, a partir de 1,2 mil entrevistas domiciliares em 72 municípios, por amostra representativa da população brasileira de áreas urbanas (Censo 2010 e PNAD 2013).

Emprego, consumo e situação financeira 
Segundo a ACSP, em abril, 51% dos brasileiros definem sua atual situação financeira como ruim e 37% acreditam que sua situação financeira futura piorará nos próximos seis meses. Em março, essas parcelas eram de 51% e 34%, respectivamente. E, há um ano, eram de 38% e 22%.

Como consequência, grande parte dos brasileiros continua preocupada com a questão do trabalho: apenas 13% estão seguros em seus empregos - há um ano, eram 28%.

O INC de abril revelou que 68% dos brasileiros não estão à vontade para comprar eletroeletrônicos, contra 62% no mês anterior e 42% há um ano. Além disso, 73% não pensam em adquirir bens duráveis de maior valor como imóveis e automóveis, ante 68% em março e 53% há um ano.

Classes
O INC das classes A/B despencou de 60 pontos em março para 49 em abril, por ser o grupo socioeconômico mais bem informado e, também, porque ele já começa a ser bastante afetado pelo desemprego, com gerentes, diretores e executivos de empresas sendo demitidos por contenção de gastos, segundo a ACSP.

Já a classe C, cujo INC saiu de 74 pontos em março e foi para 63 pontos em abril, continua a mais afetada pelo desemprego porque foi a que mais se beneficiou do crescimento econômico dos últimos anos, diz a entidade. Já nas classes D/E, o INC caiu de 85 para 81 pontos de um mês para o outro.

Regiões
O Sudeste teve um INC de 53 pontos em abril contra 65 em março. O Sul sofreu queda semelhante, caindo de 73 para 59 pontos em abril. Já nas regiões Norte/Centro-Oeste, a confiança do consumidor recuou de 76 para 70 pontos no mesmo período.

O Nordeste continua a região menos pessimista, com um INC de 82 pontos em abril frente a 88 em março.

 Fonte: G1