O Indicador de Intenção de Investimentos da Indústria da FGV subiu 0,6 ponto no segundo trimestre de 2016

Intenção de investir da indústria tem 1ª alta desde meados de 2013

Pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2013, o indicador que mede a intenção de investimento da indústria brasileira registrou alta, informa a Fundação Getulio Vargas (FGV). Para a instituição, embora o avanço tenha sido discreto, este é mais um sinal de que o setor pode estar próximo de um ponto de inflexão.

O Indicador de Intenção de Investimentos da Indústria da FGV subiu 0,6 ponto no segundo trimestre de 2016, em relação aos três meses antecedentes, e atingiu 82,5 pontos. Na abertura de 2016, o índice registrou o menor nível da série histórica, em 81,9 pontos. Na comparação com o mesmo período em 2015, o indicador ainda tem queda, de 9,6 pontos, mas o recuo é praticamente a metade dos 18,9 pontos negativos registrados no primeiro trimestre, neste tipo de confronto.

O Indicador de Intenção de Investimentos mede a disseminação do ímpeto de investimento entre as empresas industriais, colaborando, desta forma, para antecipar tendências econômicas.

"Embora discreta, esta foi a primeira alta do indicador desde o terceiro trimestre de 2013, o que é uma boa notícia. Assim como ocorre com os indicadores de confiança, o resultado sugere que as taxas de crescimento do investimento já passaram por seu pior momento e podem, gradualmente, se tornar menos negativas daqui por diante. Há que se considerar, no entanto, o elevado grau de incerteza contido nas expectativas dos empresários atualmente, tanto na definição dos valores a serem investidos quanto nas avaliações de risco que o programa atual não seja cumprido conforme originalmente planejado", afirmou, em nota, Aloisio Campelo Jr., superintendente adjunto para Ciclos Econômicos do FGV-Ibre.

Quando o Indicador de Intenção de Investimentos fica abaixo dos 100 pontos é porque há mais empresas prevendo diminuir que aumentar investimentos nos 12 meses seguintes. No segundo trimestre de 2016, 16,2% das empresas estão prevendo investir mais nos 12 meses seguintes, e 33,7% prevendo investir menos. No trimestre anterior, esses percentuais haviam sido de 16,7% e 34,8%, respectivamente.

Há hoje, no setor industrial, mais empresas incertas (39,1%) que certas (31,8%) em relação à execução de seus programas de investimentos nos próximos 12 meses, um saldo negativo de 7,3 pontos. Esse foi o menor percentual de empresas certas sobre a execucação dos investimentos e o maior de empresas incertas desde o início do quesito, no quarto trimestre de 2014. O resultado, segundo a FGV, decorre das incertezas em relação aos cenários econômicos e políticos do país, e lança dúvidas quanto à efetiva evolução dos investimentos planejados nos próximos meses.

A edição do segundo trimestre de 2016 da Sondagem de Investimentos coletou informações de 784 empresas entre os dias 4 de abril e 31 de maio.

Fonte: UOL