Produto vira novo item de luxo nos supermercados, por causa da redução da safra deste ano

Arroz sobe e tendência é de novas altas

As condições climáticas impactaram em mais um item principal da mesa dos brasileiros. Depois do feijão, agora é a vez do arroz. O grão subiu nos últimos dias nos supermercados e a tendência é de que o preço continue a aumentar até o fim do ano, já que a perda da safra chegou a 30% e a alta para o produtor, nos últimos 30 dias, foi de cerca de 15%. Assim, a indústria passou a pagar mais para atender a demanda.

Como resultado, o produto, que estava em queda há dois meses, está cerca de 28% mais caro para o consumidor goianiense. Pesquisa realizada ontem pela reportagem em quatro supermercados da capital, a média ficou em R$ 3,18 o quilo, enquanto em maio era de R$ 2,49. "Há variação porque não houve incentivo à produção, faltou chuva no Centro-Oeste e teve excesso de chuva no Sul do País", pontua o diretor executivo do Arroz Liderança, Cássio Mendonça de Almeida.

Ele explica que, por causa de estoque, a indústria já sentia a alta do grão, mas só agora tem de repassar. O efeito maior vem do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, responsáveis por 70% da produção do País. "Começou a subir porque o produtor começa a sentir melhor as perdas no fechamento da safra, que é uma só", ressalta o consultor técnico da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), Pedro Arantes.
Apesar da tendência de alta se manter, a pressão neste primeiro momento é maior, pois oferta e demanda estão emparelhadas. "Pode subir até um pouco mais pela pressão de compra e depois acomodar." O consultor alerta, porém, que, se começar a subir muito, é mais fácil importar arroz do que o feijão. "Não é difícil de achar, embora os países asiáticos também tenham sido afetados por fenômenos climáticos", diz.

Feijão

Para diminuir o preço do feijão, o governo federal anunciou ontem que tomou providências para liberar a importação do grão de países vizinhos como Argentina, Paraguai e Bolívia. Mas também é estudada a possibilidade de trazer o produto do México, após assinatura de acordo sanitário, e da China. O produto, ontem, em Goiânia, era encontrado entre R$ 11,90 e R$ 15,90 o quilo, sendo que em maio o preço médio era de R$ 6,94.

Boatos tomam conta de redes sociais sobre preço de alimentos

Estocar arroz, feijão e óleo. A mensagem de alerta tem se disseminado nas redes sociais e diz ainda que o preço do arroz chegaria a R$ 25. O boato tomou conta das conversas dos últimos dias nos supermercados. "Falaram que era para comprar logo porque iria subir, vim conferir e não vi nada disso", brinca a funcionária pública Ângela Sidnei Ferreira Costa, de 45 anos. Ao fazer as compras ontem, ela pesquisou, sentiu a diferença dos preços, mas preferiu não acreditar na história que recebeu via WhatsApp. "A gente sente o impacto dos preços, mas tudo está subindo e o melhor que fazemos é pesquisar", indica.

A mensagem que ela recebeu, e que circula pelo Estado, envolve ainda o diretor-presidente do Arroz Cristal, Walterdan Fernandes Madalena. "É tudo boato. Não falei em lugar nenhum que era para estocar arroz", afirma o executivo. Em entrevista ao POPULAR, o empresário defende que há grãos suficientes para atender o consumo e que os próximos reajustes deverão ser pequenos, porque quebrou a safra. "Já teve alta de 6% nos últimos 60 dias e a previsão até o final do ano é de 4%. Deve seguir a inflação." Ele acredita que, com o aumento de mais de 100% no feijão, houve a associação e a consequente disseminação dos boatos sobre o arroz nas redes sociais.

Fonte: O Popular