4 em cada 10 deles já foram vítimas de preconceito no trabalho

Bullying no trabalho é frequente para profissionais com deficiência

Uma pesquisa realizada com profissionais com deficiência indica que 4 em cada 10 deles já foram vítimas de preconceito no trabalho.

O dado é de levantamento do Vagas.com em parceria com a consultoria Talento Incluir. Responderam a pesquisa pela internet 4.319 pessoas com deficiência, todos com currículos cadastrados no site do Vagas.com.

O bullying foi a forma de discriminação mais comum, apontada por 57% dos que dizem ter sofrido preconceito.

Ingridy Rodrigues, 22, estudante de ciências da computação, que caminha com auxílio de muletas devido a um encurtamento na perna esquerda, conta que, em uma das empresas em que trabalhou como auxiliar administrativa, colegas mancavam perto dela zombando de seu jeito de andar. Deixou o emprego após um mês e meio.

Não foi a única dificuldade. Rodrigues diz ter atuado em uma companhia onde precisava carregar peso e em outra que exigia dela que caminhasse muito pela cidade.

"São empresas que contratam para cumprir cota, não têm interesse de verdade no meu trabalho."

A Lei de Cotas define que empresas com mais de cem funcionários devem ter um percentual de profissionais com deficiência que varia de 2% a 5% (quanto mais funcionários, maior a cota).

Para Carolina Ignarra, sócia da Talento Incluir, o resultado indica que as ações de inclusão do profissional com deficiência não devem se limitar à área de recursos humanos. "Isso mostra a importância de se discutir o tema com toda a empresa", afirma.

OPORTUNIDADES

Mais de 60% dizem enfrentar dificuldades no mercado.

Ignarra, que é cadeirante, destaca que a acessibilidade é citada por apenas 16% das pessoas com deficiência como problema. Por outro lado, falta de oportunidades para o perfil do candidato (66%) e salários baixos (40%) foram os problemas mais relatados.

"No Brasil, já vivemos dificuldade nas cidades, no transporte, nas casas. Elas nos fizeram estar adaptados para viver em um mundo que não é o ideal. Acessibilidade importa, mas nem sempre é disso que a pessoa com deficiência mais precisa", diz.

Segundo Ignarra, empresas devem perceber que profissionais com deficiência podem se desenvolver na carreira e galgar posições, em vez de sempre ocupar vagas de salário baixo, reservadas ao cumprimento de cotas.

Quase todos os respondentes consideraram importante ter gestores capacitados para lidar com as diferenças.

Por outro lado, 58% dizem que a área de RH não está pronta para a inclusão.

Fonte: Força Sindical