O que você nunca deve falar numa conversa difícil no trabalho

Se há necessidade de preparação emocional para enfrentar uma conversa, tenha a certeza de que você está no território das conversas difíceis.

Toda conversa em que há divergência entre pontos de vista, percepção de que há algo em jogo e que seja terreno fértil para que emoções aflorem é, por definição, uma conversa difícil.

"Reações emocionais, normalmente, surgem como resposta a sensações de recompensa ou de ameaça. É assim que nosso cérebro funciona. Nesse caso, a pessoa se sente potencialmente ameaçada", diz a especialista Eva Hirsch Pontes.

A dificuldade do diálogo resulta de comportamentos que as pessoas geralmente têm em situações de ameaça: fuga, luta ou congelamento. " São atitudes nocivas para fazer o tema da conversa avançar e, consequentemente, são prejudiciais para o relacionamento", diz Eva.

O melhor jeito de encarar uma conversa difícil

O primeiro passo é entender que apesar de tanto avanço tecnológico, nosso cérebro continua funcionando de modo bastante parecido com o que ocorria em eras primitivas: percepção ameaça versus percepção de recompensa e entrada em modo de sobrevivência quando ameaçado.

"Costumo dizer que em termos de 'hardware', o nosso cérebro não mudou muito da época em que tínhamos que fugir de leões. O que mudou foi o estímulo ameaçador, ou seja, o leão", diz a especialista.

Conversas difíceis são os "leões" que temos que enfrentar hoje. Sob essa lógica fica mais fácil entender que todos estamos sujeitos a nos sentir ameaçados e, no momento em que isso acontece, entramos em modo de proteção.

É justamente a entrada em modo de proteção - a maneira defensiva que resulta em fuga, luta ou congelamento - que se deve evitar, segundo as especialistas consultadas.

"Pense antes no que você espera dessa conversa", recomenda Fernanda. Para ela, antes de começar uma conversa difícil é preciso ter bem clara a transformação pretendida.

 "Sugiro expandir o uso dessa técnica para se preparar para uma conversa difícil, pensando no que você quer e no que não quer que aconteça", diz.

No momento em que perceber que
a conversa está indo em direção ao que você não quer que aconteça, diga que não é essa a intenção e explique, francamente, seu objetivo.

Por fim, esteja aberto a surpresas, afinal não se trata de monólogo. "Tenha consciência de que vai lidar com o inesperado porque é impossível se preparar totalmente para um diálogo", diz Fernanda.

A preparação, lembra Eva, é uma trilha para a conversa e, não, um trilho. Não se esqueça de escutar com atenção o que o outro diz, ao invés de ficar só esperando a sua vez de falar.

Fonte: Revista Exame

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